Joe Raedle/AFP - 21/9/2021
Joe Raedle/AFP - 21/9/2021

Mercados internacionais caem com desaceleração da atividade econômica em vários países

Dados pouco animadores para as economias americana, europeia e asiática ficaram no radar do mercado, enquanto problemas como escassez de energia e inflação ganham força

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2021 | 17h30

A desaceleração da atividade econômica nas maiores potências do mundo, que vem acompanhada de problemas como a escassez de energia, falta de insumos e preços elevados, ditou o tom do último pregão de setembro, com os mercados internacionais fechando majoritariamente em queda nesta quinta-feira, 30.

Sobre o avanço da inflação, tema que voltou a gerar preocupação em todo o mundo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)Jerome Powell disse na Câmara que ela perderá fôlego adiante e deverá se enquadrar na meta de 2% do Fed. O presidente do Fed também projetou melhora em problemas atualmente vistos na cadeia de produção. Também presente na audiência, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, também citou a "carência importante" de semicondutores, especialmente para automóveis.

A alta da inflação é apenas um dos desafios impostos pelo movimento de recuperação pós-pandemia. Estão também nos radares de investidores, os riscos no abastecimento de energia no Reino Unido e na Europa em geral, diante da escassez de gás natural, e também a perda de fôlego na China, em meio aos problemas da endividada incorporadora Evergrande, que fez apenas um pagamento parcial da sua dívida. Além disso, assim como os europeus, os chineses também sofrem com problemas de energia.

Os indicadores também mostram uma estagnação no crescimento. Nos EUA, a terceira leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB), mostra que a economia americana cresceu à taxa anualizada de 6,7% no segundo trimestre de 2021, em linha com a expectativa de 6,6%. No entanto, o número de pedidos de auxílio-desemprego do país teve alta de 11 mil na semana encerrada em 25 de setembro, a 362 mil. O resultado frustrou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda a 335 mil solicitações.  

Na Europa, a taxa de desemprego recuou a 7,5% em agosto na zona do euro, como previsto. Na Alemanha o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,1% em setembro, na comparação anual, abaixo  da previsão de 4,2% dos analistas, mas em nível forte. O ING destaca em relatório que a inflação na Alemanha está em nível mais elevado desde 1992 e que o quadro no país deve colocar pressão no debate sobre como proceder com as compras de bônus do Banco Central Europeu (BCE) no próximo ano.

No continente asiático, o índice de gerentes de compras (PMI) oficial do setor industrial chinês caiu de 50,1 em agosto para 49,6 em setembro, com a leitura abaixo de 50 sugerindo contração da manufatura.

Bolsa de Nova York

Em Nova York, além do cenário econômico, o mercado observa o impasse sobre a suspensão do teto da dívida fiscal dos Estados Unidos. O Senado aprovou a chamada "resolução contínua", que evita a paralisação da máquina pública e prevê recursos para o financiamento das despesas essenciais do governo. A medida será analisada pela Câmara.

Em resposta, os índices de Nova York caíram, com Dow Jones em baixa de 1,59%, S&P 500, de 1,19% e Nasdaq, de 0,44%.

Bolsas da Europa

O clima foi negativo no mercado europeu. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, caiu 0,05%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 0,31%, a de Paris, 0,62% e a de Frankfurt, 0,68%. Já os índices de Milão e Madri baixaram 0,21% e  0,94%. Na contramão, a Bolsa de Lisboa subiu 0,76%.

Bolsas da Ásia

Apoiados no bom desempenho de Wall Street no dia anterior, os mercados asiáticos subiram. Antes do feriado que vai fechar os mercados chineses até a próxima quinta-feira, 7, o índice de Xangai subiu 0,90% e o de Shenzhen, 2,04%. A Bolsa de Seul avançou 0,28% e a de Taiwan, 047%. Na contramão, A Bolsa de Tóquio caiu 0,31% e a de Hong Kong, 0,36%, com as ações da Evergrande em baixa de 3,91%.

Petróleo

O petróleo fechou em alta nesta quinta-feira, após um pregão volátil. Os preços da commodity enérgica recuavam em reação a um aumento inesperado dos estoques nos Estados Unidos, mas passaram a subir com a informação de que a China ordenou a suas maiores empresas de energia que garantir suprimentos "a todo custo". O país asiático enfrenta uma crise energética.

Em Nova York, o WTI para novembro avançou 0,27%, a US$ 75,03 o barril. Já o Brent para dezembro, por sua vez, subiu 0,28%, a US$ 78,31 o barril, em Londres. /MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA, ILANA CARDIAL, SÉRGIO CALDAS E GABRIEL BUENO DA COSTA

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