Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Mercados internacionais fecham em alta, ainda apoiados em evento do Federal Reserve

Na última sexta-feira, presidente do banco central americano defendeu a continuação dos juros baixos no Simpósio de Jackson Hole, apesar de apoiar a redução do programa de compra de ativos

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 17h30

As principais Bolsas do exterior fecharam em alta nesta segunda-feira, 30, apesar do dia com poucos acontecimentos. A sessão foi marcada por indicadores da economia europeia e por operadores ainda digerindo o tom pró-estímulos adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no Simpósio de Jackson Hole.

No evento, realizado na sexta-feira passada, Jerome Powell sinalizou que, caso a economia avance como previsto, é possível que a redução da compra de títulos pelo banco central americano, o chamado 'tapering', se dê ainda neste ano. Para a elevação  da taxa básica de juros na maior economia do mundo, porém, os critérios devem ser mais rigorosos. O anúncio foi visto com alívio pelo mercado.

Segundo o Danske Bank, foi "interessante ver o efeito do discurso nos mercados, e nem é preciso dizer que o Fed e Powell terão um impacto enorme nas ações no segundo semestre". Nesta semana, as atenções se voltam para a publicação dos dados de emprego nos Estados Unidos, com o payroll na sexta-feira representando uma importante medida do quadro no país. 

Ainda sobre política monetária, o presidente do Banco da França e dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Francois Villeroy de Galhau, disse à Reuters que não vê risco de disparada da inflação na zona do euro, apesar de um aumento temporário ser esperado para os próximos meses. Em sua visão, o BCE deve levar em consideração as condições de financiamento mais favoráveis da região para decidir sobre o tapering - sugerindo que uma desaceleração na compra emergencial de títulos está no radar.

Na agenda dados, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Alemanha subiu 3,9% na comparação anual de agosto, ganhando ligeira força em relação à alta de 3,8% observada em julho, segundo dados publicados pela Destatis, como é conhecida a agência de estatísticas alemã. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Já o índice de sentimento econômico, divulgado pela Comissão Europeia, caiu de seu nível recorde registrado em julho. Embora a queda em agosto fosse prevista, o indicador ficou levemente abaixo da expectativa de analistas. Em relatório aos clientes, o ING avalia que, apesar do recuo, o resultado sinaliza que a economia do bloco continuará crescendo com força neste terceiro trimestre, ainda que em ritmo mais lento, uma vez que provavelmente já atingiu seu pico. 

Fora da agenda econômica, o mercado observa o desenrolar da situação no Afeganistão, após os Estados Unidos realizarem dois ataques contra membros de um braço do Estado Islâmico responsável por um atentado na semana passada que matou treze soldados americanos. Enquanto isso, o país deve finalizar em breve a retirada de suas tropas das terras afegãs, cujo prazo acaba amanhã, dia 31. Além disso, a passagem do furacão Ida, também nos EUA, segue no radar do mercado, com impactos graves já sendo registrados em Louisiana.

Bolsa de Nova York

O mercado americano fechou praticamente com alta generalizada hoje, com apenas o Dow Jones em baixa de 0,16%. Na contramão, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,43% e 0,90% cada, com ambos registrando novo recorde de encerramento. Entre os destaques, a ação da Apple subiu 3,04% após crescerem especulações de que o próximo iPhone contará com tecnologia de comunicação baseada no espaço, o que tornaria chamadas possíveis mesmo fora do alcance das operadoras de rede. 

Bolsas da Europa

Ganhos, ainda que modestos, foram registrados no mercado europeu. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,07%, enquanto Frankfurt teve ganho de 0,22% e Paris, de 0,08%. Já Milão, Madri e Lisboa registraram altas de 0,61%, 0,07% e 0,27%. A Bolsa de Londres não operou hoje, devido a um feriado no Reino Unido.

Bolsas da Ásia

A semana também começou positiva para o mercado asiático, com a Bolsa de Tóquio em alta de 0,54%, a de Hong Kong, de 0,52% e a de Seul, de 0,33%. Os índices chineses de XangaiShenzhen subiram 0,17% e 0,06%, enquanto Taiwan registrou ganho de 1,08%. Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul nesta segunda, em alta de 0,22%, favorecida por ações de mineradoras e petrolíferas. 

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta segunda, de olho nas notícias sobre o furacão Ida, que reduziu drasticamente a atividade petrolífera no Golfo do México. A reunião ministerial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que ocorre nesta semana, e deve trazer mais orientações sobre o nível de produção do óleo, também está no radar.    

Em Nova York, o barril de WTI com entrega prevista para outubro fechou em alta diária de 0,68%, a US$ 69,21. Já em Londres, o barril de Brent para novembro teve alta de 0,74% (US$ 0,53), a US$ 72,23. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, MATHEUS ANDRADE E SERGIO CALDAS

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