Anh Young Joon/AP
Anh Young Joon/AP

Mercados internacionais fecham em queda após China relaxar sua política monetária

Decisão, que vem em meio ao avanço da variante Delta, foi vista como um sinal de que a recuperação da segunda maior economia do mundo ainda é frágil

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 17h40

Os principais índices do exterior fecharam em forte queda nesta quinta-feira, 8, de olho na decisão da China de elevar os estímulos monetários, em um momento no qual a variante Delta do coronavírus volta a ganhar força no exterior.

Ontem, após anunciar o relaxamento em sua política monetária, o gabinete da China disse que as autoridades usarão os instrumentos necessários, inclusive cortes de compulsórios bancários, para sustentar a economia real, principalmente pequenas e médias empresas. A última vez que Pequim adotou a medida foi em abril de 2020, no auge da crise gerada pela pandemia.

A decisão do governo chinês poderia ter sido positiva no passado, mas hoje, com os analistas acreditando que a segunda maior economia do mundo já se recupera dos impactos da pandemia, o sinal foi visto como uma indicação de que o movimento de retomada do país ainda é frágil e pode ser afetado pelo avanço da variante Delta.

Nesse cenário, o banco holandês ING alerta ainda em relatório que a temporada de feriados na Europa "deve disseminar a variante Delta mais amplamente pela zona do euro". Por outro lado, o banco acredita que o avanço na campanha de vacinação pode frear esse impacto. O avanço da cepa também é monitorado nos Estados Unidos, onde já começaram as férias de verão.

Já o Banco Central Europeu passou a adotar meta de inflação de 2% e alertou que os preços podem subir um pouco acima dessa faixa por um período transitório. Além disso, a presidente do BCE, Christine Lagarde, também deixou claro a necessidade de mais estímulos para a recuperação da economia da zona do euro. O Nordea disse não ver grandes mudanças no tom da entidade monetária e previu que a redução no ritmo das compras de títulos públicos deve ocorrer no outono local, que começa em 22 de setembro. 

Bolsas da Ásia

O mercado de  Hong Kong liderou as perdas do mercado asiático, em baixa de 2,89%, após a China alterar sua política monetária. Além disso, a decisão do país asiático de aumentar a pressão regulatória sobre "big techs" locais também pesou nos ativos - em resposta, os índices chineses de XangaiShenzhen cederam 0,79% e 0,48% cada. Tóquio, TaiwanSeul tiveram perdas de 0,88%, 0,09% e 0,99%, respectivamente. 

Na Oceania, a bolsa australiana conseguiu evitar o viés negativo da região asiática e avançou 0,20%. 

Bolsa de Nova York

Na esteira da decisão da China, Dow Jones recuou 0,75% em Nova York, enquanto S&P 500 e Nasdaq caíram 0,86% e 0,72% cada - ontem, ambos os índices bateram recordes de fechamento.

Bolsas da Europa

A política monetária chinesa também alimentou a aversão aos riscos do mercado europeu. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em baixa de 1,72%, enquanto a Bolsa de Londres caiu 1,68%, Frankfurt cedeu 1,73% e Paris teve queda de 2,01%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 2,55%, 2,31% e 0,74% cada.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta, nesta quinta, apesar da falta de consenso na Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) sobre ajustes no acordo de corte de produção. Dados sobre estoques nos Estados Unidos, divulgados hoje, contribuíram para a inversão do movimento. 

Segundo o Departamento de Energia americano, na última semana, os estoques de petróleo nos EUA recuaram 6,866 milhões de barris, bem mais do que a queda de 3,9 milhões prevista por analistas. Em reposta, o WTI para agosto fechou em alta de 1,02%, em US$ 72,94 o barril, enquanto o Brent para setembro subiu 0,94%, a US$ 74,12 o barril. /MAIARA SANTIAGO, SÉRGIO CALDAS, IANDER PORCELA, GABRIEL BUENO DA COSTA E ILANA CARDIAL

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