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Richard Drew/AP
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Mercados internacionais fecham mistos, ainda de olho na movimentação do BC dos EUA

Apesar da fala tranquilizadora do presidente do Federal Reserve no dia anterior, hoje, dirigente da autoridade monetária causou apreensão ao defender a retirada dos estímulos já em 2022

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 17h40

A fala tranquilizante do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no dia anterior, não surtiu efeito tão positivo nos mercados internacionais nesta quarta-feira, 23, com os índices fechando mistos. Entre os investidores, a preocupação ainda gira em torno do futuro da política monetária dos Estados Unidos e com a escalada da inflação.

Ontem, o presidente do Fed, Jerome Powell, afastou a chance de um reajuste "preventivo" da taxa de juros, mas prometeu agir caso a inflação suba acima do esperado. Ele apontou ainda para a necessidade de apoiar o mercado de trabalho americano e disse que a recuperação da economia dos EUA ainda tem um longo caminho pela frente, ressaltando a necessidade das medidas de estímulo.

Hoje, no entanto, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, foi na contramão de Powell e defendeu um reajuste nos juros já para o final de 2022 - e não apenas em 2023, como sugeriu o Fed em sua última reunião. Ele disse que vários meses de dados "fortes" de emprego podem abrir as portas para a retirada dos estímulos e defendeu dar início ao processo de redução das compras de ativos. A declaração gerou preocupação, uma vez que Bostic tem direito à voto nas reuniões do Fed.

Já a diretora do Fed, Michelle Bowman afirmou hoje ser provável que os preços aos consumidores americanos sigam subindo no decorrer de 2021, e as pressões inflacionárias consideradas temporárias, como os gargalos na cadeia de suprimentos, podem levar "algum tempo" até serem solucionadas.

Hoje, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto caiu de 68,7 em maio a 63,9 na preliminar de junho, mas o PMI apenas da indústria subiu de 62,1 em maio a 62,6 na prévia de junho, recorde na série histórica do dado, ante previsão neste caso de 61,5 dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. O resultado vem na esteira da alta das matérias-primas e das pressões inflacionárias de junho.

Bolsa de Nova York

A fala do dirigente do Fed fez com que os índices americanos invertessem o sinal. Dow Jones e S&P 500 caíram 0,21% e 0,11% cada, mas o Nasdaq, ainda que com menos fôlego, subiu 0,13%, batendo um novo recorde histórico de fechamento.

Por lá, continua a haver expectativa por um possível pacote de gastos em infraestrutura nos EUA, mas a administração Joe Biden enfrenta dificuldades para avançar nessa frente. Hoje, a porta-voz da Casa Branca disse que o presidente pode se reunir com congressistas para discutir o tema.

Bolsas da Europa

Diante da indefinição da política monetária dos EUA, ficaram em segundo plano dados mais positivos sobre a economia europeia. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu para o maior nível desde 2006, um sinal sobre a recuperação da atividade econômica do bloco. O índice Stoxx 600 fechou em baixa de 0,73%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 0,22%, Paris recuou 0,91% e Frankfurt teve queda de 1,15%.

A Bolsa de Milão teve perda de 0,94%, enquanto Madri teve queda de 1,10% e Lisboa recuou 0,71%. 

Bolsas da Ásia 

No mercado asiático, no entanto, o clima foi de alta, com os investidores ainda precificando a fala mais pró-estímulos de Powell. A Bolsa de Hong Kong fechou em alta de 1,79%, enquanto Seul teve ganho de 0,38% e Taiwan se valorizou 1,53%. Os índices chineses de ShenzhenXangai subiram 0,25% e 0,79% cada. Exceção, a Bolsa de Tóquio teve perda marginal de 0,03%.

Na Oceania, a bolsa australiana caiu 0,60%, após a adoção de novas restrições de combate a covid-19 em Sydney, cidade mais populosa do país.

Petróleo

petróleo fechou em alta nesta quarta-feira, com investidores de olho em planos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) para relaxar os cortes na produção do óleo em 500 mil barris por dia (bpd) em agosto. O mercado ainda acompanhou a forte queda nos estoques da commodity nos Estados Unidos, antecipada pelo American Petroleum Institute (API) no fim da tarde de ontem. Ao todo, o país registrou baixa de 7,614 milhões de barris, ante expectativa de baixa de 4,1 milhões de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

O petróleo WTI com entrega prevista para agosto fechou em alta de 0,32%, a US$ 73,08, enquanto o barril do Brent para o mesmo mês subiu 0,51%, a US$ 75,19. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, IANDER PORCELLA E SERGIO CALDEIRA

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