Shannon Stapleton/Reuters - 20/5/2021
Shannon Stapleton/Reuters - 20/5/2021

Mercados internacionais ficam sem sinal único mesmo após varejo dos EUA crescer em agosto

Dado surpreendeu analistas, que projetavam queda para o varejo americano no mês passado; no entanto, fim dos estímulos e cenário tenso na China ainda preocupam investidores

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 18h30

Em uma semana marcada por dados pouco convincentes sobre as economias americana, chinesa e europeia, a alta de 0,7% do varejo dos Estados Unidos ajudou a espantar, mesmo que temporariamente, o temor de que a recuperação da economia global possa estar perdendo o fôlego. No entanto, outros dados pouco favoráveis, deixaram os mercados sem sinal único nesta quinta-feira, 16.

"O impacto da variante Delta nos dados de julho e agosto claramente afetou grande parte da economia, mas isso não prejudicou os hábitos de consumo do consumidor americano no mês passado", diz Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York. Segundo o Departamento do Comércio, as vendas no varejo dos Estados Unidos cresceram 0,7% em agosto ante julho, para US$ 618,7 bilhões. O resultado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda de 0,8%.

Diante do bom resultado, investidores começaram a trabalhar com a hipótese de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já comece a discutir na próxima reunião, marcada para a semana que vem, a retirada de alguns estímulos. No entanto, a recuperação da economia americana ainda é desigual. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram 20 mil na última semana, para 332 mil, contra previsão de 320 mil solicitações.

"Agora que o seguro-desemprego expirou para milhões de americanos, Wall Street vai tentar ver se as contratações melhoram rapidamente", disse Moya, ao lembrar que entre as metas do Fed para começar a cortar estímulos, está alcançar o pleno emprego. "O consumidor americano parece forte agora, mas preços mais altos e menos apoio governamental pesarão sobre as perspectivas para o resto do ano", acrescenta.

O debate sobre o futuro das medidas de incentivo também tem ganhado destaque no Banco Central Europeu (BCE). Hoje, a presidente da entidade monetária, Christine Lagarde, disse que os suportes fiscal e monetário continuam necessários para a continuidade da recuperação econômica do bloco comum. Na esteira da divulgação de indicadores, as exportações aumentaram 1% em julho ante junho na zona do euro.

No mercado asiático, porém, o dia foi de preocupação. A Evergrande, principal incorporadora da China, segue dando sinais de que não conseguirá honrar o pagamento de dívidas na próxima semana. A gigante, cuja ação despencou 6,41%, tem sido afetada pelas restrições impostas por Pequim, para limitar os créditos e forçar as empresas a reduzir sua dívida.

Bolsa de Nova York

À espera do Federal Reserve, que vai se reunir na semana que vem, a Bolsa de Nova York fechou sem sinal único. O Dow Jones caiu 0,18% e o S&P 500 recuou 0,16%, mas o Nasdaq registrou alta de 0,13%. 

Bolsas da Europa

Os mercados europeus fecharam com ganhos, após o dado positivo da economia americana. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, encerrou o dia com ganho de 0,44%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,16%, a de Frankfurt teve ganho de 0,23% e a de Paris, teve alta de 0,59%. Os índices de Milão e Madri avançaram 0,78% e 1,14% cada, mas Lisboa foi na contramão e caiu 0,20%.

Bolsas da Ásia

Diante do risco de colapso do mercado imobiliário chinês, os índices asiáticos ficaram no vermelho. A Bolsa de Hong Kong caiu 1,46%, enquanto os índices chineses de XangaiShenzhen recuaram 1,34% e 1,95% cada. O mercado de Tóquio se desvalorizou 0,62%, Seul, 0,74% e Taiwan, 0,43%. 

Na Oceania, a bolsa australiana ignorou o tom negativo da região asiática e avançou 0,58%, com ganhos liderados pelo setor petrolífero. 

Petróleo

Os contratos de petróleo recuaram em parte do dia, mas ganharam fôlego perto do fim da sessão, apoiados por certo arrefecimento da pressão do câmbio. De qualquer modo, a commodity mostrou desempenho modesto, após ganhos recentes. O contrato do WTI para outubro fechou estável, em US$ 72,61 o barril, em Nova York, e o Brent para novembro teve alta de 0,28%, a US$ 75,67 o barril, em Londres. /MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

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