Oliver Douliery/AFP - 16/9/2021
Oliver Douliery/AFP - 16/9/2021

Mercados internacionais recuam após geração de novas vagas decepcionar nos EUA 

Em agosto, economia americana criou 235 mil novas vagas - previsão era de 750 mil; além disso, dados fracos da China e da Europa reforçaram percepção de que retomada mundial está desacelerando

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2021 | 17h38

O dia foi negativo para os mercados internacionais nesta sexta-feira, 3, na esteira da divulgação de dados ruins das principais economias do mundo, em especial dos Estados Unidos. Entre os investidores, a percepção é de que a retomada mundial já dá sinais de desaceleração.

Extremamente esperado, o relatório de geração de novas vagas dos EUA de agosto, o chamado "payroll", decepcionou. Ao todo, o mercado de trabalho americano criou 235 mil empregos mês passado, número bem abaixo da previsão de 750 mil feita por analistas. A taxa de desemprego ficou em 5,2% da força de trabalho. Já o resultado de julho foi revisado de 943 mil vagas para 1.053 milhões de novas vagas. 

"As autoridades do Fed [Federal Reserve, o banco central americano] aguardavam ansiosamente por este relatório e agora os hawks [dirigentes que são a favor da redução das medidas de estímulo] terão de esperar para ver mais dados", disse Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York. Para a Oxford Economics, o anúncio do Fed sobre o aperto do programa de compra ativos deve se dar em novembro. Na previsão da Pantheon Macroeconomics, por sua vez, só em dezembro. Após o payroll, as apostas do mercado para o início do novo ciclo de alta de juros pelo Fed oscilaram entre dezembro de 2022 e fevereiro de 2023. 

Apesar disso, o presidente dos EUA, Joe Biden, traçou um quadro positivo sobre a economia do país, em discurso nesta sexta. "O que temos visto é uma recuperação econômica que é durável e forte", afirmou. Ele atribuiu o resultado fraco aos impactos da variante Delta da covid-19, enfatizando novamente a importância de se avançar mais na vacinação. "Nós somos a única economia desenvolvida do mundo que agora é maior do que antes da pandemia", destacou.

Ainda por lá, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços dos EUA caiu de 64,1 em julho para 61,7 em agosto, segundo o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês). O dado superou marginalmente as expectativas de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda a 61,6.

Já na China, o índice de gerentes de compras (PMI) composto, que engloba os setores industrial e de serviços, caiu de 53,1 em julho para 47,2 em agosto, ficando abaixo da marca de 50 que indica contração de atividade pela primeira vez desde abril de 2020. O dado, somado ao fraco desempenho do mercado de trabalho americano, ajudou a criar a percepção de que a recuperação das maiores economias do mundo estão perdendo o fôlego.

Ainda na agenda de indicadores, as vendas no varejo na zona do euro caíram 2,3% entre junho e julho, contrariando a expectativa de alta de 0,2% no período. O setor de serviços na Europa também apresentou sinais de fragilidade, com os PMIs tanto da zona do euro, quanto da Alemanha e do Reino Unido em queda. Para a Pantheon Macroeconomics, os PMIs ainda estão consistentes com uma recuperação ampla e forte da atividade econômica, conforme a disseminação do coronavírus se retrai.

Bolsa de Nova York

Os dados negativos do mercado de trabalho dos EUA deixaram o mercado de Nova York sem direção única. O Dow Jones caiu 0,21%, enquanto o S&P 500 teve recuo de 0,03%. Na contramão, o Nasdaq subiu 0,21% e bateu novo recorde de fechamento. Na semana, o Dow Jones caiu 0,24%, enquanto o S&P 500 acumulou alta de 0,58% e o Nasdaq avançou 1,55%.

Bolsas da Europa

Diante do cenário negativo, o mercado europeu fechou em queda, com o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, em queda de 0,56%. A Bolsa de Londres cedeu 0,36%, Paris teve baixa de 1,08% e Frankfurt, de 0,37%. Já os índices de Milão, Madri e Lisboa recuaram 0,64%, 1,31% e 0,31% cada.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático ficou sem sinal único, com alguns índices em queda. A Bolsa de Tóquio teve alta expressiva de 2,05%, enquanto Seul subiu 0,79% e Taiwan, 1,14%. Na contramão, os índices chineses de XangaiShenzhen caíram 0,43% e 0,55% cada, e Hong Kong cedeu 0,72%.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em alta de 0,5%, favorecida por ações de mineradoras e petrolíferas. 

Petróleo

petróleo fechou em queda nesta sexta, pressionado pela criação de empregos bem abaixo das estimativas nos EUA. A baixa demanda, em um momento no qual a oferta é alta, ainda é uma grande preocupação dos investidores, principalmente por conta do avanço da variante Delta

O barril do WTI com entrega prevista para outubro fechou em queda diária de 1,00%, a US$ 69,29. Já o do Brent para novembro teve baixa de 0,58%, a US$ 72,61. No acumulado semanal, os contratos avançaram 0,80% e 1,27%, respectivamente. /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE, GABRIEL CALDEIRA E SERGIO CALDAS

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