Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Mercados internacionais registram ganhos, apesar de indicadores negativos

Resultado abaixo do esperado da criação de novas vagas de trabalho no setor privado americano desanimou investidores, mas, mesmo assim, Nasdaq bateu recorde

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 18h00

Os mercados internacionais registraram ganhos nesta quarta-feira, 1, apesar de alguns indicadores terem fechado em queda, em dia marcado pela divulgação de importantes indicadores das economias americana e europeia.

Um dos dados mais aguardados da semana, a criação de novas vagas no setor privado dos Estados Unidos ficou em 374 mil em agosto, conforme a ADP. O resultado decepcionou o mercado, que esperava alta de 600 mil vagas no mês, e gerou grande expectativa para o payroll, relatório mais completo sobre a geração de novos postos, que será divulgado nesta sexta-feira.

Apesar da apreensão de operadores, a Capital Economics avalia que o resultado fraco do dado da ADP não vai, necessariamente, se refletir no payroll. A consultoria nota que a medição da ADP possui um histórico "pobre" ao rastrear os números oficiais divulgados pelo Departamento do Trabalho americano.

Desta forma, a consultoria britânica ainda espera a "relativamente sólida" criação de 750 mil vagas de trabalho nos EUA em agosto. A Capital ressalta ainda que o número não seria suficiente para convencer a maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a iniciar o 'tapering', como é chamado o processo de retirada gradual dos estímulos monetários, já neste mês.    

Entre outros indicadores, a IHS Markit relatou queda a 61,1 do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria dos EUA na leitura final de agosto. De acordo com o Citi, maiores prazos de entrega e consequentes aumentos nos preços de matérias-primas prejudicaram o resultado.

Na Europa, investidores ficaram atentos à divulgação dos PMIs industriais da zona do euro, Alemanha e Reino Unido, que caíram nas leituras finais de agosto, medidas pela IHS Markit. Apesar dos recuos, o setor de manufatura das três economias segue em expansão, acima de 50 pontos, ainda que em um ritmo mais fraco, segundo destaca a Oxford Economics em relatório.    

Também foi divulgada a taxa de desemprego da zona do euro, que caiu a 7,6% em julho, como previsto. Na Alemanha, as vendas no varejo recuaram 5,1% entre junho e julho, bem abaixo da estimativa de queda de 0,9% no período de analistas consultados pelo The Wall Street Journal

Na Ásia, o PMI industrial chinês diminuiu de 50,3 em julho para 49,2 em agosto, ficando abaixo da marca de 50 que indica contração  da atividade e atingindo o menor nível em um ano e meio. O número desanimador vem num momento em que a região asiática lida com novos surtos ocasionais de covid-19

Bolsa de Nova York

O dado do mercado de trabalho americano afetou o desempenho da Bolsa de Nova York, com Dow Jones em baixa de 0,14%. Apesar disso, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,03% e 0,33% cada, com o último batendo recorde de fechamento.

Bolsas da Europa

O mercado europeu também observou a divulgação dos indicadores. O índice Stoxx 600 avançou 0,48%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,42% e a de Paris, 1,18%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,66%, 1,64% e 1,02% cada. Na contramão, a Bolsa de Frankfurt recuou 0,07%.

Bolsas da Ásia

Os índices ficaram sem direção única no mercado asiático. A Bolsa de Tóquio subiu 1,29% hoje, enquanto Hong Kong avançou 0,58% e Seul se valorizou 0,24%. Na China, o índice de Xangai teve alta de 0,65%, mas o de Shenzhen recuou 0,49%. Já Taiwan registrou perda marginal de 0,09%.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho hoje, com queda de 0,10%, embora tenha reduzido perdas após a publicação de dados de crescimento do país melhores do que o esperado.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam sem sentido único nesta quarta, próximos à estabilidade, em dia movimentado para o setor. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) afirmou hoje sua decisão de elevar a produção mensal de petróleo em 400 mil barris por dia (bpd) em outubro deste ano. Em comunicado, o grupo afirmou que, embora os efeitos da pandemia causada pela covid-19 continuem a provocar "alguma" incerteza, os fundamentos do mercado se fortaleceram.

Também chamou atenção dados sobre o estoque de petróleo dos Estados Unidos. O Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos EUA informou queda de 7,169 milhões de barris de petróleo na última semana - mais do que o dobro do esperado por analistas. O barril de WTI com entrega prevista para outubro fechou em alta de 0,13%, a US$ 68,59 o barril, enquanto o barril de Brent para novembro caiu 0,06% , a US$ 71,59 o barril. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL CALDEIRA E SERGIO CALDAS

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