Jerome Favre/EFE - 21/9/2021
Jerome Favre/EFE - 21/9/2021

Mercados internacionais se recuperam após perdas causadas pela Evergrande no dia anterior

Em Nova York, Nasdaq subiu, enquanto índices da Europa registraram alta generalizada e Hong Kong teve leve ganho; porém, espera por decisão do Fed, que sai amanhã, pesou

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2021 | 17h45

Apesar do risco de calote da gigante chinesa do mercado imobiliário Evergrande ainda continuar ecoando no mercado, os principais índices do exterior buscaram uma recuperação nesta terça-feira, 21, após a tensão causada entre os investidores pela incorporadora. O ambiente, no entanto, ainda foi de instabilidade, com os investidores à espera da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que sai amanhã.

Em carta enviada aos funcionários nesta terça-feira, o presidente do conselho de administração da Evergrande, Hui Ka Yuan, afirmou que a empresa irá cumprir suas responsabilidades junto a compradores de imóveis, investidores, parceiros e instituições financeiras, segundo a Reuters.

Para o Deutsche Bank, parte do efeito de um possível calote - ou mesmo falência da Evergrande - sobre o mercado imobiliário chinês já foi absorvida pelo mercado, mas ainda é preciso ver se podem se materializar mais riscos para o setor e seus ganhos no curto prazo.

Também sobre o tema, o presidente da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, na sigla em inglês)Garry Gensler, afastou um pouco das preocupações hoje, ao afirmar que os Estados Unidos estão em uma "posição bem mais forte em 2021 para absorver choques" do que estava na crise anterior (2008).

No entanto, à espera pelo anúncio do Fed na quarta-feira adicionou mais tensão ao mercado. A expectativa é que a entidade monetária já dê algum sinal sobre a redução do seu programa de compra de ativos, processo chamado de 'tapering'

"Esta deve ser uma reunião simples, já que a variante Delta desencadeou uma série de dados econômicos que permitirão ao Fed afirmar que a redução ocorrerá ainda este ano. As expectativas são de que o Fed faça um anúncio formal de redução do preço em novembro, possivelmente começando em dezembro a um ritmo de US$15 bilhões por mês.", diz Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda

Já o início da alta dos juros deve demorar mais um pouco. "As expectativas de aumento das taxas podem ocorrer já em novembro de 2022, mas o segundo semestre de 2023 parece mais provável", aponta Moya.

Bolsa de Nova York

Apesar de registrarem, por várias vezes ao longo do dia, alta generalizada, os índices de Nova York foram pressionados pelo Fed na reta final do pregão e ficaram sem sinal único. Dow Jones S&P 500 tiveram baixas de 0,14% e 0,08% cada, mas o Nasdaq subiu 0,22%.

Bolsas da Europa

Um movimento de recuperação foi sentido com mais ímpeto na Europa. O índice Stoxx 600 fechou em alta de 1,00%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 1,12%, a de Paris teve ganho de 1,50% e Frankfurt avançou 1,43%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 1,22%, 1,16% e 1,11% cada.

Bolsas da Ásia

O dia foi de pouco apetite aos riscos no mercado asiático, com as Bolsas da China, da Coreia do Sul e de Taiwan fechadas pelo segundo dia seguido hoje em razão de feriados locais. A Bolsa de Hong Kong subiu 0,51%, revertendo apenas parte do tombo de 3,3% que sofreu ontem. Por lá, a ação da Evergrande teve baixa de 0,44% hoje, após despencar mais de 10% no pregão anterior.

Já em Tóquio, a Bolsa japonesa voltou de um feriado nacional com forte desvalorização de 2,71%, reagindo com atraso aos temores com a incorporadora. Na Oceania, a bolsa australiana teve modesto ganho de 0,35%, ajudada principalmente por papéis do segmento petrolífero, após atingir ontem seu menor nível em três meses.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo alternaram ganhos e perdas, ao longo do pregão desta terça, mas o sinal positivo prevaleceu, com recuperação parcial da commodity após as perdas mais fortes de ontem, quando a cautela com a China pesou mais. Hoje, os potenciais riscos da potência seguiram no radar, mas houve espaço para ajuste parcial nos preços do óleo.

Em Nova York, o WTI para novembro fechou em alta de 0,50%, a US$ 70,49 o barril. Já em Londres, o Brent para o mesmo mês subiu 0,60%, a US$ 74,36 o barril. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

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