Brendan McDermid/Reuters - 22/9/2021
Brendan McDermid/Reuters - 22/9/2021

Mercados internacionais sobem após comunicado do Fed e melhora da Evergrande

Possibilidade de banco central americano apertar os estímulos antes do previsto causou tensão ontem, mas hoje, investidores descartaram a possibilidade; em Hong Kong, incorporadora chinesa ensaiou recuperação

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2021 | 17h30

Os mercados tiveram um novo dia de recuperação nesta quinta-feira, 23, sem preocupações com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), cuja decisão foi anunciada ontem, e também sem a tensão causada pela incorporadora Evergrande, que já deu sinais de recuperação hoje na Bolsa de Hong Kong.

Ontem, o banco central americano manteve a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada, mas o presidente do Fed, Jerome Powell sinalizou que a redução do programa de compra de ativos, processo chamado de tapering, pode começar já em novembro, de forma "gradual", a depender de como virão os dados sobre o mercado de trabalho do país de setembro.

Apesar da decisão ter sido vista como "dura" pelo mercado em um primeiro momento, as preocupações logo ficaram para trás. "Um anúncio de redução do Fed em novembro não significa necessariamente taxas de juros mais altas no próximo ano", disse Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda.

Além disso, os dados contraditórios da economia americana deram 'alívio' aos investidores, que descartaram uma posição mais dura por parte do Fed antes do esperado. Nos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu a 351 mil na última semana, acima dos 320 mil esperados por analistas, enquanto o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto recuou a 54,5 na preliminar de setembro, na mínima em 12 meses, segundo a IHS Markit.

Ainda sobre política monetária, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve hoje a taxa básica de juros em 0,10% e o tamanho do seu programa de compra de ativos. No entanto, dois dirigentes votaram pelo fim dos estímulos, o que causou certa tensão.

Assim como nos EUA, porém, o cenário na Europa ainda é pouco favorável para uma redução nos estímulos. Os PMIs compostos de Reino UnidoAlemanha recuaram ao menor nível em sete meses em setembro, enquanto o PMI da zona do euro caiu à mínima em cinco meses no mesmo período. 

O apetite por ações ocorre em meio a uma redução das preocupações com a Evergrande, a gigante chinesa do setor imobiliário que enfrenta problemas de liquidez, apesar de os riscos continuarem no radar do mercado. Em um sinal de recuperação, os papéis da incorporadora tiveram forte alta de 17,62% na Bolsa de Hong Kong - desde o começo do ano, porém, ele ainda acumula queda de mais de 80%. O movimento veio após na quarta-feira, 22, uma subsidiária da Evergrande prometer honrar o pagamento de juros sobre bônus que vencem nesta quinta.

No entanto, investidores ainda monitoram a situação da incorporadora chinesa de perto. Hoje, autoridades da China pediram a governos locais que se preparem para o eventual colapso da Evergrande, segundo fontes com conhecimento do assunto, sinalizando relutância do governo de resgatar a empresa e na tentativa de evitar efeitos secundários de sua crise.

Bolsa de Nova York

Apesar dos dados ruins para a economia dos EUA e do tom mais duro adotado ontem pelo Fed, a Bolsa de Nova York buscou novamente a recuperação e teve resultados fortes hoje. O Dow Jones fechou em alta de 1,48%, o S&P 500 subiu 1,21% e o Nasdaq teve ganho de 1,04%. 

Bolsas da Europa

Com exceção do mercado de Londres, que caiu 0,07% após o comunicado do BC da Inglaterra, o dia também foi positivo para o investidor europeu. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, encerrou o dia com ganho de 0,93%, enquanto Paris teve alta de 0,98% e Frankfurt, de 0,88%. Já os índices de Milão, Madri e Lisboa subiram 1,41%, 0,78% e 1,29% cada.

Bolsas da Ásia  

O dia foi majoritariamente positivo para o mercado asiático, diante da recuperação na Bolsa de Hong Kong da Evergrande, que ajudou o índice a fechar com ganho de 1,19%. No lado positivo, os índices chineses de XangaiShenzhen subiram 0,38% e 0,46% cada, enquanto Taiwan registrou alta de 0,90%. Na contramão, a Bolsa de Seul caiu 0,41%.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul nesta quinta, em alta de 1%, impulsionada principalmente por ações de tecnologia e de petrolíferas.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta na sessão desta quinta. Os ativos da commodity chegaram a cair pela manhã, mas logo recuperaram o fôlego e se firmaram no positivo. O acúmulo de ganhos se dá em meio ao maior apetite por risco do mercado, com noticiário positivo sobre Evergrande e sinalizações sobre tapering pelo Fed.

O petróleo WTI para novembro fechou em alta de 1,48%, a US$ 73,30 o barril em Nova York, no maior nível desde o final de julho. Já o Brent para o mesmo mês subiu 1,39%, a US$ 77,25 o barril em Londres, atingindo o preço mais alto de fechamento desde outubro de 2018, segundo a Dow Jones Newswires. O bom desempenho favoreceu as ações do setor nos EUA, com Chevron em alta de 2,52% e ExxonMobil, de 3,41%; /MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA, ILANA CARDIAL E GABRIEL BUENO DA COSTA

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