Daniel Acker/Bloomberg via The Washington Post
Daniel Acker/Bloomberg via The Washington Post

Mercados internacionais sobem após presidente do Federal Reserve defender estímulos

No Simpósio de Jackson Hole, evento anual do banco central americano, Jerome Powell apoiou a redução da compra de ativos, mas disse que ainda não é a hora de subir os juros

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 17h45

Os mercados internacionais fecharam em alta nesta sexta-feira, 27, com os investidores monitorando o discurso de pró-estímulos de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no Simpósio de Jackson Hole. Na ocasião, ele voltou a descartar uma alta antecipada dos juros.

O evento, organizado anualmente, mexeu com os mercados durante toda a semana. Na ocasião, Powell aproveitou para falar mais sobre o início da diminuição do programa de compra de ativos, o chamado 'tapering'. Ele acredita ser "apropriado começar a reduzir o ritmo das compras de ativos neste ano", possivelmente em setembro, caso a economia americana continue evoluindo de forma satisfatória.

Powell afirmou que o Fed tem dito que continuará suas compras de ativos no ritmo atual até que ocorra mais progresso substancial rumo às metas de máximo emprego e estabilidade de preços. Segundo ele, "mais progresso substancial" já foi atingido na inflação, que ainda segue em alta - o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA, medida de inflação preferida do Fed, subiu 0,4% em julho ante junho. Além disso, ele disse ainda que tem ocorrido "claro progresso rumo ao máximo emprego". 

O presidente do Fed, porém, também mencionou que houve uma disseminação maior da variante Delta da covid-19 nos EUA. Ele disse que o comando do Fed avaliará com cuidado os dados por vir e os riscos no quadro. "Mesmo após nossas compras de ativos terminarem, nossa carteira elevada de ativos de longo prazo continuará a apoiar condições financeiras acomodatícias", ressaltou. Ele mencionou ainda que não há expectativa de antecipar a elevação dos juros básicos da economia americana, atualmente entre 0% e 0,25% ao ano.

Para o ING, Powell demonstrou certa cautela em sua fala e o anúncio do tapering seria algo possível, mas a depender de um relatório de criação de empregos forte na próxima sexta-feira. Já a BMO Capital Markets mencionou que os critérios para uma eventual elevação da taxa básica de juros nos EUA são mais rigorosos que para o tapering, enquanto o Commerzbank avalia que o discurso de Powell mostrou que o cenário econômico nos EUA ainda não melhorou o suficiente para anunciar a retirada de outros estímulos monetários.

O apoio ao tom do "grande discurso" por colegas, como o presidente do Fed da FiladélfiaPatrick Harker, contribuiu para dar mais segurança a mensagem de Powell. Ao mesmo tempo, Harker voltou a defender que o processo de redução gradual nas compras de bônus seja feito "antes mais cedo que mais tarde". Por outro lado, o presidente da distrital de St. Louis, James Bullard, reiterou que o banco central americano pode realizar o 'tapering' mais rapidamente, completando-o até o fim do primeiro trimestre de 2022.

Bolsa de Nova York

O discurso ajudou no bom desempenho do mercado de Nova York hoje. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,69%, o S&P 500 avançou 0,88% e o Nasdaq teve ganhos de 1,23%. Os dois últimos fecharam com novo recorde. Na semana, os índices acumularam altas de 0,96%, 1,52% e 2,82%, respectivamente.

Bolsas da Europa

O clima também foi positivo no mercado europeu, com o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subindo 0,43%. A Bolsa de Londres teve ganho de 0,32%, Paris, de 0,24% e Frankfurt, de 0,37%. Já os índices de Milão e Madri registraram altas de 0,56% e 0,34% cada, mas Lisboa foi na contramão e caiu 0,09% - com exceção dele, todos os demais fecharam a semana com saldo positivo.

Bolsas da Ásia

Com os investidores à espera do discurso de Powell, que veio somente quando o mercado asiático já estava fechado, alguns índices fecharam em queda, com Tóquio em baixa de 0,36% e Hong Kong com recuo marginal de 0,03%. No lado positivo, Seul subiu 0,17% e Taiwan, 0,84%, enquanto os índices de XangaiShenzhen avançaram 0,59% e 0,10% cada.

Na agenda de indicadores, o lucro das empresas industriais da China subiu 16,4% em julho na comparação com o mesmo mês de 2020. Mais uma vez, a leitura trouxe uma desaceleração em relação ao mês anterior.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em baixa marginal de 0,04%, pressionada por ações de tecnologia e de consumo.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo subiram nesta sexta e acumularam na semana avanço 10%. O desempenho positivo fez com que a commodity mais do que recuperasse as perdas da semana anterior, reflexo da escassez de oferta nos EUA, por conta de um furacão, e de cortes na produção no México após um incêndio na plataforma da Pemex. O maior apetite por risco nos mercados internacionais e o enfraquecimento do dólar ante rivais, após evento do Fed, também impulsionaram a alta.    

O barril do WTI com entrega prevista para outubro fechou em alta diária de 1,96%, a US$ 68,74, e semanal de 10,62%. Já o barril do Brent para novembro teve alta de 2,16%, a US$ 71,70. Na semana, o ativo mais líquido avançou 10,0%. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA, ILANA CARDIAL E SÉRGIO CALDAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.