Mercados mostram equilíbrio no início do encontro da UE e euro sobe

Investidor do câmbio tomou com o fato de a China ter também expressado preocupação com a dívida não só da Grécia, mas espanhola e italiana

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 09h18

Os mercados se equilibram no território positivo no exterior enquanto acontece o encontro de cúpula da Comissão Europeia, que reunirá governantes dos maiores países da região unificada em busca de uma saída para evitar que a crise grega abale as estruturas do euro. A moeda, por sua vez, também ensaia reação à maciça onda de vendas de ontem, após o rebaixamento do rating de Portugal, e que beneficiou fortemente o dólar. Mas os investidores do câmbio tomaram um susto logo no começo do dia, com o fato de a China ter também expressado preocupação com a dívida não só da Grécia, mas espanhola e italiana.

 

"Eu não acho que a Grécia vai quebrar porque ainda é relativamente pequena, mas nós não vemos uma ação decisiva que diga ao mercado 'nós podemos resolver isso, nós podemos finalizar isso', dessa forma o mercado está muito volátil", acrescentou Zhu. Segundo o vice-presidente do PBOC, "a principal preocupação hoje obviamente é a Espanha e a Itália".

 

Para o analista de moedas sênior do Bank of New York Mellon, em Londres, Simon Derrick, a declaração é uma boa indicação do quão rapidamente as preocupações crescem em relação a zona do euro. "Este comentário sinaliza o ponto em que paramos de falar sobre a crise da dívida grega e começamos a falar sobre uma crise estrutural na zona do euro", observou.

 

Prova disso foi a queda para abaixo de US$ 1,33 do euro durante a sessão asiática, para sua menor cotação desde 7 de maio, a US$ 1,3283, após as considerações de Zhu. Com o início do encontro da cúpula da UE, próximo às 7h30 (de Brasília), o euro, já operando acima de US$ 1,33, avançou um pouco na esperança de qualquer sinal positivo para a Grécia.

 

Mas o ceticismo é grande. "Mesmo que se chegue a um plano, o redirecionamento do foco para outras economias, como Portugal, sugere que terá chegado tarde demais para proteger o euro de mais uma queda", disse Stuard Bennet, estrategista sênior de moeda do Credit Agricole, em Londres.

 

A Alemanha reforçou que sua proposta é de um resgate para a Grécia com participação do FMI e dos países da zona do euro. O jornal El País publicou que a Espanha compromete-se a contribuir com 9% em um possível pacote para a Grécia e o primeiro-ministro sueco disse, já com a reunião na Europa em andamento, ser favorável a uma linha de ajuda bilateral da zona do euro.

 

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, tentou reverter o pessimismo, prometendo aceitar bônus com rating BBB- como colateral de empréstimos em 2011, o que beneficia a Grécia e potencialmente outros países que possam ter seus ratings reduzidos por crise fiscal.

 

Fora da Europa, chamou a atenção o novo aporte de US$ 9,5 bilhões dado pelo governo de Dubai ao conglomerado Dubai Word para reestruturar a sua dívida.

 

E nos EUA, a preocupação com a dívida soberana fica exposta pelo acompanhamento prometido ao leilão de US$ 32 bilhões em novos bônus de sete anos do Tesouro, após ter pago ontem mais do que se esperava para atrair demanda ao leilão de US$ 42 bilhões em notes de cinco anos. O juro dos Treasuries disparou depois do leilão de ontem e nesta manhã ainda sustentava patamares atravessados no dia anterior. O juro do note de dois anos seguia acima de 1%.

 

Às 8h50 (de Brasília), Londres subia 0,50%, Frankfurt avançava 0,77% e Paris operava em alta de 0,75%. O euro era cotado em US$ 1,3358, de US$ 1,3324 no fim da tarde ontem em Nova York. O dólar operava a 92,11 ienes, de 92,14 ienes ontem. Na esteira do abrandamento dos ganhos do dólar, o petróleo (+0,52%) e o cobre (+0,34%) avançam. As informações são da Dow Jones.

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