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Mesmo com corte nos juros, fundos de renda fixa mantêm ampla vantagem sobre a poupança

No ano, aplicações com taxa de administração de até 2,5% têm retornos melhores

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 18h36

Mesmo com a redução da Selic para 13,75% ao ano pelo Banco Central, os fundos de renda fixa continuam mais atrativos do que a poupança. Quem procura aplicações mais conservadoras e de baixo risco terá retornos melhores se buscar produtos com taxa de administração de até 2,5%. A poupança só leva vantagem em cima das aplicações com prazo de resgate de até 1 ano que tem taxas de administração a partir de 3%.

A taxa de juros básica precisaria retornar aos 8% para a poupança render 70% da Selic e se tornar mais atrativa. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano.

Em 2015, o brasileiro que investiu na caderneta de poupança perdeu 2,35% do seu poder de compra, uma vez que a rentabilidade desse tipo de investimento alcançou 8,07%, ante uma inflação de 10,67%.

Miguel de Oliveira, diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, explica que os fundos continuam na frente da caderneta por causa da Selic ainda elevadas e a perspectiva de quedas graduais.

"O Banco Central não tem espaço para fazer quedas acentuadas por conta da instabilidade política com a Lava Jato, cassação da chapa Dilma-Temer e implantação do ajuste fiscal", afirma Oliveira.

No exterior, questões como a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), elevação dos juros norte-americanos, eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a consequente variação do dólar também impedem movimentos maiores do Banco Central.

O Banco Central deu início em outubro a um novo ciclo de quedas na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando baixou a Selic de 14,25% ao ano para 14% ao ano.

Foi a primeira redução de juros sob o comandado de Ilan Goldfajn, e a instituição sinalizou que, para os cortes serem maiores, como queria uma parcela dos economistas do mercado, será preciso avançar no ajuste fiscal e no controle da inflação de serviços.

"Vai demorar para que isso melhore e a queda será muito lenta", acredita Fábio Colombo, administrador de Investimentos. Colombo explica que o cenário melhorou para o investidor de renda fixa porque, além da mudança na taxa de juros ser pequena, a inflação tem caído, o que favorece o ganho real, diferente do que aconteceu antes do impeachment. Ele alerta, contudo, que rendimento melhor também significa riscos maiores.

Carlos Acquisti, economista da Infinity, prevê Selic em 11% ao ano e inflação ainda fora do centro da meta - de 4,5% - no final de 2017 e acredita que o momento é oportuno também para títulos do Tesouro atrelados à inflação, que o investidor só sabe a rentabilidade ao final do período.

"A expectativa é de que o IPCA fique próximo de 6% e ainda dê retornos bons para títulos atrelados à inflação".

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