Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Mesmo sem atuação extra do BC, dólar cai 1,6% e fecha a R$ 3,87

Ibovespa terminou com ganho de 0,61%, aos 75.010,39 pontos, maior nível em dois meses

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 11h01
Atualizado 06 Julho 2018 | 18h45

O dólar à vista chegou a bater em R$ 3,95 na manhã desta sexta-feira, 6, mas engatou queda forte na parte da tarde, renovou mínimas mesmo durante o jogo do Brasil com a Bélgica e fechou em R$ 3,8662, queda de 1,63%. Foi a menor cotação desde o dia 28 de junho, garantindo ao real hoje o melhor desempenho ante o dólar entre as principais moedas globais.

No mercado de ações, o bom desempenho das bolsas de Nova York numa tarde de liquidez reduzida no Brasil incentivou o avanço do Ibovespa, que voltou ao patamar dos 75 mil pontos. O indicador terminou o dia aos 75.010,39 pontos, com ganho de 0,61%, no maior nível em dois meses. O balanço da semana também foi positivo para o índice, que acumulou ganho de 3,09%. Os negócios do dia somaram R$ 6,7 bilhões, volume considerado razoável para um dia de jogo do Brasil.

Dólar. A sexta-feira marcou o décimo dia seguido sem atuação extraordinária do Banco Central em contratos de swap (venda de dólar no mercado futuro). Com a queda, o dólar reverteu a alta acumulada na semana e acumulou retração de 0,30%.

Pela manhã, o dólar no Brasil chegou a subir, descolando do exterior. Mas por volta das 11 horas a moeda virou e passou a cair. Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado Neto, ocorreu um movimento de desmonte de posições compradas dos agentes em dólar, após dados diferentes do previsto no relatório de emprego dos Estados Unidos, divulgados pela manhã.

Ao contrário do esperado, a taxa do desemprego nos EUA subiu para 4%, enquanto se previa que ficasse em 3,8%. Além disso, a média de ganhos por hora trabalhada subiu 0,2%, enquanto os economistas previam 0,3%, afastando temores de intensificação da alta de juros nos EUA. Apesar da queda hoje, Alessie pondera que este movimento de desmontar posições deve ser "parcial" e "provavelmente pontual".

O dado que mais surpreendeu do relatório foi a criação de vagas acima do previsto em junho, com 213 mil postos, enquanto se esperava 195 mil. Na avaliação do economista-chefe internacional do grupo holandês ING, James Knightley, o documento reforça a força da economia norte-americana e deve manter em curso a estratégia do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de subir os juros na maior economia do mundo de forma gradual.

Com a alta de juros em curso nos EUA, além do aumento da tensão comercial nas últimas semanas, o Itaú Unibanco projeta que o cenário externo vai seguir mais desafiador para os países emergentes. O banco elevou nesta sexta-feira a projeção do dólar no Brasil para o final de 2018 e 2019 de R$ 3,70 para R$ 3,90.

O aumento dos riscos aliado ao diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos em patamar historicamente baixo vem se traduzindo em pressão sobre a moeda brasileira, ressalta relatório assinado pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita, ex-diretor do BC. O real é terceira moeda que mais perdeu valor ante o dólar este ano, atrás da Argentina e da Turquia.

O BC repetiu a estratégia dos últimos dias e fez somente o leilão de rolagem dos contratos de swap que vencem em agosto, em operação que movimentou US$ 700 milhões. "O mercado parece mais ajustado após as excessivas intervenções do BC, mas claramente ainda existe ampla demanda por hedge", afirmam os estrategistas da Icatu Vanguarda.

Bolsa. O período da tarde foi de noticiário escasso, não apenas no Brasil, como também no exterior. Pela manhã, o principal destaque, que acabou por permear os negócios até o final do dia, também foram os dados do "payroll", relatório de empregos dos Estados Unidos.

No cenário doméstico, o fator positivo ficou por conta do IPCA de junho, que ficou em 1,26%. Apesar de ter sido a maior taxa para o mês desde 1995, a inflação do mês passado ficou ligeiramente abaixo da mediana, de 1,28%.

"O cenário internacional foi determinante para a alta da Bolsa hoje, uma vez que os índices mundiais operaram todos no azul. Além de Dow Jones, S&P-500 e Nasdaq, houve ganhos firmes nos índices setoriais e de empresas brasileiras negociadas lá fora", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.

No decorrer da semana, diz o profissional, os ganhos da Bolsa foram obtidos em grande parte pelo noticiário corporativo. Nos últimos dias, houve avanços para Petrobrás, Eletrobrás e Embraer. No caso da fabricante de aviões, o anúncio de entendimento para a criação de uma joint venture com a americana Boeing acabou por derrubar as ações. Nesta sexta o papel caiu 1,86%, depois de ter perdido mais de 14% na quinta-feira. Ainda assim, a ação acumula alta de 13,87% em 2018, ante queda de 1,82% do Ibovespa. Em um ano, o papel acumula alta de 50,7%.

As ações da Petrobrás terminaram o dia em alta de 0,65% (ON) e 0,45% (PN) e terminaram a semana com ganhos acima de 4%. Os papéis foram beneficiados pelo destravamento do leilão do excedente da cessão onerosa, depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) alterou regra que inviabilizava a venda ainda este ano.

Além disso, a Câmara concluiu a votação dos destaques do projeto de lei que regula a questão. Eletrobras ON e PNB avançaram 0,55% e 0,24% no dia e dispararam 19,20% e 24,28% no acumulado da semana, também refletindo o noticiário favorável, uma vez que a Câmara aprovou o texto-base do projeto de lei que destrava a venda de suas distribuidoras.

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