Meta de superávit primário continua desafiadora, afirma economista

O resultado pior do que o esperado no setor público consolidado em fevereiro pode ser atribuído, em boa parte, às despesas com custeio do governo central, o que poderia indicar que o governo está quitando pagamentos atrasados, as chamadas pedaladas fiscais. A avaliação é do economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

KARLA SPOTORNO E ÁLVARO CAMPOS, Estadão Conteúdo

05 Abril 2015 | 15h05

Ele também chama atenção para a diferença entre os resultados do governo central divulgados pelo Tesouro e pelo BC. Até recentemente, os números informados pelo BC eram piores do que os calculados pelo Tesouro, já que a autoridade monetária consegue capturar atrasos no pagamento de subsídios. Agora essa discrepância estatística se inverteu, o que, para Kawall, pode sinalizar uma "descompressão" no pagamento desses subsídios, uma normalização.

Com o resultado fiscal de fevereiro, o economista do Safra diz que a meta de superávit de 1,2% do PIB é bastante desafiadora e que pode requerer da equipe econômica novas medidas para equilibrar as contas públicas e chegar nesse objetivo. Segundo Kawall, a recente revisão na metodologia do IBGE, que mostrou que o PIB brasileiro é um pouco maior do que se esperava, não deve gerar uma mudança na meta de superávit, porque o que está na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é o objetivo nominal, de R$ 66,3 bilhões, e não o patamar como um porcentual do PIB.

Kawall afirmou que a queda real de 4,1% das receitas no primeiro bimestre se deve, em boa parte, à arrecadação menor em função da atividade econômica fraca. A deterioração no mercado de trabalho, que afeta as receitas previdenciárias, também prejudicou o resultado do setor público consolidado. Para o economista, os números dos dois primeiros meses do ano não devem ser tomados como um referencial sobre como será o resto de 2015, até porque muitas medidas que devem melhorar a arrecadação ainda não começaram a gerar resultado. Além disso, espera-se alguma recuperação da economia, mesmo que pequena, no segundo semestre, o que poderia ajudar na arrecadação.

Uma redução no número de ministérios, que tem sido defendida por alguns analistas e foi proposta pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, provavelmente não teria grande impacto nas contas públicas, segundo Kawall. É uma medida de grande visibilidade mas pequena contribuição fiscal. Por outro lado, um corte significativo no volume de cargos comissionados, hoje em 22 mil, poderia ajudar a reduzir as despesas.

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