Metais básicos e ouro recuam com crise na Europa

Preocupação com problemas fiscais na Europa e possível contágio da crise derruba preços

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 15h59

Os contratos futuros do cobre fecharam em alta na London Metal Exchange (LME), enquanto outros metais básicos recuaram, mas encerraram acima das recentes mínimas ajudados por uma pausa na queda do euro em relação ao dólar. O sentimento em torno da moeda europeia e o temor sobre o futuro levaram investidores a se desfazer de ativos arriscados, reduzindo suas posições nos mercados de commodities, nas últimas semanas.

Na rodada livre de negócios (kerb) da tarde da London Metal Exchange (LME), o contrato do cobre para três meses subiu US$ 109,00, para US$ 6.609,00 por tonelada. O contrato do chumbo para três meses fechou em queda de US$ 11,00, a US$ 1.745,00 por tonelada, enquanto o contrato do zinco avançou US$ 18,00, para US$ 1.874,00 por tonelada. O contrato do alumínio recuou US$ 10,00, para US$ 1.991,00 por tonelada, enquanto o contrato do níquel perdeu US$ 145,00, para US$ 21.150,00 por tonelada. O contrato do estanho fechou em queda de US$ 60,00, a US$ 17.390,00 por tonelada.

"A preocupação continua a ser o problema fiscal na zona do euro e o seu contágio, que já não se limita a considerações sobre Portugal, Itália e Espanha", afirmou o Crédit Agricole, em relatório. "Em vez disso, ele se espalhou por todos os continentes e bolsas, tanto quanto as turbulências da crise do subprime que se estenderam muito além das expectativas iniciais", acrescentou o banco.

Segundo a consultoria Capital Economics, os problemas na zona do euro são um lembrete de que a crise financeira mundial foi apenas parcialmente resolvida, uma vez que se transferiu do setor bancário para as finanças públicas. "É provável que o cenário para 2011 e mais adiante seja um longo período de baixo crescimento, crédito apertado e dólar fortalecido. Em suma, nossa opinião é que seria errado assumir que os preços das commodities vão se recuperar para os níveis pré-crise, imediatamente, como se nada tivesse acontecido nesse meio tempo", afirmou o economista-chefe da consultoria, Julian Jessop.

O cobre na LME está sendo negociado acima de US$ 6.500,00 a tonelada, mas levando em consideração o nervosismo do mercado, o risco no curto prazo é que o metal seja comercializado abaixo dos US$ 6.400,00 por tonelada, numa faixa entre US$ 6.200,00 por tonelada e US$ 6.250,00 por tonelada, afirmou o JP Morgan.

Na América do Sul, o governo do Chile, o maior produtor mundial do cobre, disse que elevar temporariamente o imposto do metal a fim de ajudar a pagar a reconstrução do país atingido por um terremoto em fevereiro. A mudança não é obrigatória, mas o governo espera que a maioria das empresas de mineração adotem voluntariamente o aumento do imposto para ajudar os esforços de reconstrução.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros do cobre encerraram com leve queda, seguindo a baixa das bolsas norte-americanas, diante das preocupações sobre o crescimento econômico global. Tendo em vista que as preocupações sobre a saúde econômica da zona do euro continuam a circular, "os preços do cobre provavelmente permanecerão na defensiva", disse Scott Meyers, analista da Pioneer Futures, uma divisão da MF Global. O preço do contrato do cobre para julho US$ 0,0150, ou 0,51%, para US$ 2,9445 por libra-peso, com mínima de US$ 2,9330 e máxima de US$ 2,9870 ao longo da sessão.

Entre os metais preciosos, a platina e o paládio registraram seus fechamentos mais baixos desde fevereiro, uma vez que os investidores venderam uma grande quantidade de ativos para evitar o risco no caso de uma piora dos problemas das dívidas soberanas da Europa, o que poderia conter o crescimento econômico.

O ouro reduziu sua perda no fechamento no pregão viva-voz, apresentando um desempenho melhor que o de outros metais, uma vez que continua a ser considerado como um ativo seguro. Os investidores usaram as várias quedas observadas pelo ouro no intraday como oportunidades de compra.

O contrato do ouro para junho negociado na Comex caiu US$ 4,50, ou 0,4%, para US$ 1.188,60 por onça-troy, com mínima de US$ 1.176,10 e máxima de US$ 1.190,90 ao longo da sessão.

O contrato da platina para julho declinou US$ 109,90, ou 6,8%, para US$ US$ 1.495,80 por onça-troy. O contrato do paládio para junho perdeu US$ 50,75, ou 11%, para US$ 408,95. As informações são da Dow Jones.

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