Metais básicos e preciosos caem com alta do dólar

Investidores também realizaram lucros já que as cotações vinham subindo desde o início de fevereiro

Marcílio Souza e Suzi Katzumata, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 16h57

Os contratos futuros de metais básicos fecharam em baixa na London Metal Exchange (LME) nesta segunda-feira, pressionados pela queda das ações e pelo recuo do euro frente ao dólar. Operadores afirmaram também que houve realização de lucros depois da alta expressiva da semana passada. De modo geral, os metais vêm subindo desde o início deste mês, quando atingiram um piso por causa das preocupações com a dívida soberana na Europa.

 

Por ora, muitos analistas afirmam que o mercado espera que a China começará a comprar metais após o feriado do Ano Novo Lunar, na semana passada. Se isso ocorrer, os metais poderão subir ainda mais, segundo um trader de Londres. O que resta por ser visto é, no entanto, se a China comprará mais metais no mercado ou se apenas consumirá seus estoques formados no ano passado.

 

O efeito do retorno da China hoje, contudo, foi fraco. O cobre subiu cerca de 6% na bolsa de futuros de Xangai, para equiparar-se à alta registrada pelo metal na LME na semana passada, mas os preços na LME caíram. Isso ocorreu porque a arbitragem, ou a diferença de preço que nas últimas semanas estava favorecendo as importações de cobre pela China, encurtou-se entre Xangai e Londres e isso pesou sobre os metais, disse o analista Will Adams, da BaseMetals.

 

Além disso, preocupações com a dívida soberana de países como a Grécia persistem, e alguns analistas preveem a consequente continuação do vigor do dólar ante o euro, o que pode exercer pressão sobre o complexo de metais. Olhando mais à frente, no entanto, a empresa de commodities Natixis disse esperar que os metais atrairão mais investimentos, estimulados pela aceleração do crescimento econômico de países em desenvolvimento da Ásia e pela potencial recuperação das economias da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

 

Na rodada livre de negócios (kerb) na LME, o cobre em contrato para três meses caiu US$ 110 e fechou a US$ 7.320,00 a tonelada. O chumbo para três meses recuou US$ 35 na sessão, fechando a US$ 2.323,00 por tonelada, enquanto o zinco para três meses teve perda de US$ 72 para US$ 2.291,00 por tonelada. O alumínio para três meses subiu US$ 13 para US$ 2.151,00 por tonelada, enquanto o níquel para três meses teve queda de US$ 255 na jornada para US$ 20.470,00 por tonelada. O estanho para três meses ganhou US$ 175 para US$ 17.170,00 por tonelada.

 

Em Nova York, o cobre para maio negociado na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu US$ 0,0505 (1,49%) para US$ 3,3285 a libra-peso. "Eu não classificaria o declínio de hoje como algo além de uma consolidação dentro de uma tendência altista", disse o analista Bill O'Neill, da Logic Advisors. "Estamos apenas tomando um fôlego. Houve um pouco de vendas por parte de fundos, eu acho que se trata apenas de uma pequena realização de lucros."

 

Os futuros de ouro negociados na Comex também caíram, com os participantes vendendo posições compradas. As vendas foram alimentadas pela recuperação do dólar  e preocupações sobre uma alta adicional da moeda norte-americana, disse Michael Gross, broker e analista de futuros da OptionSellers.com. "Os que apostam na alta do mercado não estão realmente comandando o show neste momento", disse. A saga da dívida europeia continua a deixar os participantes nervosos e buscando a segurança do dólar. "Existe um temor na mente dos players de ouro e prata neste momento de que este movimento de alta do dólar pode não ter acabado", disse Gross.

 

Os contratos de ouro para abril caíram US$ 9,00 (0,80%) e fecharam a US$ 1.113,10 por onça-troy; os contratos de prata para março recuaram US$ 0,191 (1,16%) e fecharam a US$ 16,222 por onça-troy. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
commoditiesmetaisouro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.