Metais básicos e preciosos caem com aversão ao risco

Os contratos futuros dos metais básicos caíram de forma acentuada na London Metal Exchange (LME) nesta terça-feira, com os investidores migrando dos ativos mais arriscados para o dólar, diante da divulgação de dados que apontaram uma queda inesperada da confiança do consumidor nos EUA.

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 17h54

 

Os índices acionários nos EUA, os preços do petróleo e os do ouro recuaram. De acordo com os operadores, havia um sentimento pessimista de que os compradores chineses não voltaram imediatamente para o mercado e a comprar cobre após o feriado do Ano Novo Lunar na semana passada.

 

A arbitragem entre os mercados de Londres e de Xangai - que havia favorecido a compra do metal na LME porque os preços estavam mais baixos em Londres antes do feriado - terminou esta semana.

 

"No que diz respeito aos preços da LME, o dólar continua a ser o principal fator, com o metais felizes em seguir o rumo dos mercados de câmbio", disse Leon Westgate, analista do Standard Bank.

 

O mercados de câmbio estarão atentos ao depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, na Câmara dos Representantes e no Senado na quarta-feira e na quinta-feira, respectivamente. Os participantes do mercado esperam que Bernanke reitere sua intenção de manter as taxas de juros baixas por enquanto.

 

Segundo os operadores, os comentários do presidente do Fed vão determinar o humor dos mercados no curto prazo. Mais à frente, vários analistas continuarão a argumentar que a demanda física pelos metais, como o cobre, vai melhorar.

 

A taxa de cancelamento dos warrants - ou o metal destinado a deixar os armazéns da LME - para o cobre está aumentando. Segundo Westgate, as warrants canceladas correspondem atualmente a cerca de 3% do total dos estoques, de 0,6% no início do fevereiro. Para o Morgan Stanley, esse número sinaliza que a atividade física está crescendo.

 

Os operadores dizem que os preços estão acima dos níveis fundamentalmente aceitáveis, enquanto a MF Global ressaltou que o vigor continuado do dólar poderá levar a uma adicional dos preços.

 

Na rodada livre de negócios (kerb) da tarde na LME, o contrato do cobre para três meses caiu US$ 189,00 e fechou a US$ 7.131,00 por tonelada. O chumbo para três meses recuou US$ 89,00, para US$ 2.234,00 por tonelada, enquanto o contrato do zinco para três meses fechou em queda de US$ 72,00, a US$ 2.219,00 por tonelada. O alumínio para três meses recuou US$ 25,00, a US$ 2.126,00 por tonelada. O níquel para três meses também encerrou em baixa de US$ 280,00, a US$ 20.190,00 por tonelada. O estanho para três meses perdeu US$ 370,00, para US$ 16.800,00 por tonelada.

 

Em Nova York, o cobre para maio negociado na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu US$ 0,0940, ou 2,82%, para US$ 3,2345 por libra-peso, com máxima de US$ 3,3650 e mínima de US$ 3,2110 ao longo da sessão.

 

Entre os metais preciosos, o contrato do ouro para abril negociado na Comex caiu US$ 9,90, ou 0,89%, para US$ 1.103,20 por onça-troy, com mínima de US$ 1.099,60 e máxima de US$ 1.121,70 ao longo da sessão. A queda do metal foi motivada pelos dados econômicos dos EUA mais fracos do que o esperado que desestimularam o apetite por risco e encorajaram a compra de dólares.

 

Segundo Sterling Smith, analista da Country Hedging, o declínio do índice de confiança do consumidor americano reforçou as expectativas de uma queda da inflação e reduziu o interesse pelo uso do ouro como uma proteção contra a inflação. "O apetite por risco está diminuindo rapidamente", disse Smith. A informações são da Dow Jones.

 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
commodities, metais, cobre, ouro, LME

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.