Metais básicos fecham em alta, impulsionados pela fraqueza do dólar

Na rodada livre de negócios da tarde da LME, o contrato do cobre para três meses subiu 0,58%, para US$ 7.951,00 por tonelada

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

28 de setembro de 2010 | 16h05

Os contratos futuros dos metais básicos fecharam em alta, impulsionados pela fraqueza do dólar em relação a outras moedas diante de uma leitura mais fraca que a esperada num índice sobre a confiança do consumidor norte-americano. Pela manhã, no entanto, o dólar subia e os metais caíam em meio a receios com o impacto orçamentário do resgate de bancos na Irlanda e com a qualidade do crédito da Espanha.

 

"O dólar foi atingido por vendas e isso levou as pessoas a comprar commodities. É uma reação perversa, de certa forma", afirmou o analista David Thurtell, do Citigroup. Ele destacou que muitos consumidores europeus estão comprando metais apenas quando necessitam e, portanto, estão contentes em esperar o dólar cair para adquiri-los por preços mais baixos.

 

A moeda norte-americana perdeu força após o Conference Board divulgar que seu índice de confiança do consumidor dos EUA caiu para 48,5 em setembro - o menor nível desde fevereiro -, de 53,2 em agosto, fomentando os temores com a possibilidade de a recuperação da economia norte-americana estar perdendo fôlego. A previsão dos economistas era de que o índice ficaria em 52.

 

Na rodada livre de negócios (kerb) da tarde da Bolsa de Metais de Londres (LME, na sibla em inglês), o contrato do cobre para três meses subiu US$ 46,00, ou 0,58%, para US$ 7.951,00 por tonelada.

 

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do cobre para dezembro - de maior liquidez - avançou US$ 0,04, ou 1,11%, para US$ 3,6370 por libra-peso, com mínima de US$ 3,5690 e máxima de US$ 3,6395 ao longo da sessão. O contrato para setembro ganhou US$ 0,0405, ou 1,13%, para US$ 3,6340 por libra-peso. Em ambos os casos, o nível de fechamento foi o maior em dois anos.

 

Entre outros metais básicos negociados na LME, o contrato do chumbo para três meses fechou em alta de US$ 12,00, a US$ 2.281,00 por tonelada, enquanto o contrato do zinco subiu US$ 8,50, para US$ 2.216,00 por tonelada. O contrato do alumínio avançou US$ 16,00, para US$ 2.308,00 por tonelada, enquanto o contrato do níquel ganhou US$ 80,00, para US$ 23.170,00 por tonelada. O contrato do estanho fechou em alta de US$ 325,00, a US$ 23.650,00 por tonelada.

 

Participantes do mercado disseram que a queda nos preços durante a manhã provavelmente atraiu investidores em busca de pechinchas, principalmente porque a oferta de alguns metais, como o cobre, está baixa.

 

"Estamos nos perguntando de onde virá a produção", particularmente de cobre, disse um operador de Londres. Ele mencionou que a demanda mundial pelo metal deve crescer de 3% a 4% anualmente e que o mercado mundial de cobre refinado registrou um déficit de 84 mil toneladas em junho, segundo as informações mais recentes do Grupo Internacional de Estudos sobre o Cobre.

 

Diante disso, o operador disse esperar que o preço dos contratos futuros do cobre na LME passe a ser de, em média, US$ 8.100 a US$ 8.150 por tonelada nos próximos meses. Thurtell, do Citigroup, acredita que o preço do contrato do cobre para três meses estará em US$ 8.200 por tonelada até o final do ano.

 

Entre os metais preciosos, o contrato do ouro para dezembro subiu US$ 9,70, ou 0,75%, e registrou novo recorde de fechamento, de US$ 1.308,30 por onça-troy. Ao longo da sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 1.276,20 e a máxima de US$ 1.311,80 - novo recorde intraday.

 

O avanço nos preços foi motivado pela queda no índice de confiança do consumidor do Conference Board, que além de enfraquecer o dólar e beneficiar as commodities denominadas na moeda norte-americana também levou os investidores a buscar ativos considerados seguros - caso do ouro. "Estamos vendo a busca por qualidade", disse Charles Nedoss, estrategista de mercado da Olympus Futures. "O dinheiro está saindo das ações e indo para instrumentos mais seguros." 

O metal fechou em nível recorde em nove das últimas onze sessões e está avançando desde quarta-feira, recebendo suporte da perspectiva de inflação futura nos EUA por causa da depreciação do dólar e da expectativa de que o governo norte-americano vai injetar mais dinheiro na economia para estimular a recuperação. As informações são da Dow Jones.

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