Metais básicos fecham sem direção comum

O contrato futuro de ouro, negociado para abril, fechou perto da estabilidade, depois de passar grande parte da sessão em queda

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 17h49

Os contratos futuros dos metais básicos fecharam sem direção comum, com o cobre mudando de rumo no final da sessão do mercado europeu, influenciado pelo fortalecimento do dólar em relação ao euro e ao iene.

Os preços dos contratos dos metais recuaram na semana passada, à medida que os investidores abandonaram aplicações no euro, ações e commodities para apostar no dólar, diante das preocupações com a dívida soberana da Grécia.

A especulação de que a Alemanha e seus parceiros europeus poderiam elaborar um plano para socorrer a Grécia no encontro marcado para amanhã, em Bruxelas, também ajudou os investidores a reverter os eventos da semana.

O euro operava em baixa com as preocupações sobre a possibilidade do mercado se tornar muito otimista com os resultados do encontro. Os comentários do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, de que a instituição poderá apertar a sua política monetária no futuro, ajudaram o dólar e os metais pesados a subirem temporariamente.

Após o fechamento dos mercados de metais básicos, o euro operava a US$ 1,3718, de US$ 1,3779 na terça-feira, enquanto o dólar subia para 89,93 ienes, de 89,63 ienes.

"O mercado de metais básicos continua a expressar dúvidas sobre a sustentabilidade da alta de preços registrada nesta semana", disse o analista do Standard Bank, Leon Westgate. "As cotações dos metais em geral serão ditadas pelo mercado monetário, por enquanto", acrescentou.

O contrato do cobre para março negociado na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), subiu US$ 0,0020, ou 0,07%, para US$ 2,9890 por libra-peso, com máxima de US$ 3,0150 e mínima de US$ 2,9305 ao longo da sessão, incluindo o pregão eletrônico.

Na London Metal Exchange (LME), no encerramento da rodada livre de negócios (kerb) da tarde, o contrato do cobre para três meses recuou US$ 55,00, para US$ 6.530,00 por tonelada.

Entre outros metais básicos negociados em Londres, o contrato do chumbo aumentou US$ 12,00, para US$ 2.044,50 por tonelada, enquanto o contrato do zinco encerrou em alta de US$ 10,00, a US$ 2.114,00 por tonelada. O alumínio caiu US$ 23,00, a US$ 2.033,00 por tonelada.

O níquel subiu US$ 155,00, a US$ 17.705,00 por tonelada, enquanto o estanho avançou US$ 200,00, para US$ 15.650,00 por tonelada.

Dados sobre a importação de metais básicos pela China também trouxeram sinais divergentes para o mercado. O país importou 292.096 toneladas de cobre, ligas de cobre e produtos semiacabados do metal em janeiro, um decréscimo de 21% frente a dezembro e um aumento de 25,3% ante igual mês do ano passado, de acordo a Administração Geral de Alfândegas.

Segundo a Fairfax, esta foi a primeira queda mensal das importações chinesas em três meses.

Muitos participantes do mercado preveem um alta das importações chinesas em março, dada a recente diferença de preços entre a LME e a Bolsa de Futuros de Xangai, que geralmente ajuda a impulsionar a demanda chinesa por aço.

Entre os metais preciosos, o contrato do ouro para abril negociado na Comex fechou perto da estabilidade, depois de passar grande parte da sessão em território negativo. O metal caiu US$ 0,90, ou 0,08%, para US$ 1.076,30 por onça-troy, com mínima de US$ 1,063,30 e máxima de US$ 1.081,10 ao longo da sessão, incluindo o pregão eletrônico.

O metal ampliou e reduziu as perdas, oscilando sob a influência do dólar e comercializado como um ativo de risco, assim como as ações. Os mercados aguardavam mais detalhes sobre um potencial pacote de auxílio à Grécia e também reagiram aos comentários do presidente do Fed, Ben Bernanke, a respeito do aperto do crédito nos EUA. "A maior parte das negociações no momento é baseada na confiança (na recuperação da economia)", ressaltou Daniel Pavilonis, estrategista sênior da Lind-Waldock.

As informações são da Dow Jones.

 

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