Metais básicos sobem com recuperação momentânea do euro

Após mais uma sessão volátil, o preço do ouro voltou a cair

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de maio de 2010 | 16h47

Os contratos dos metais básicos negociados na rodada livre de negócios (kerb) da London Metal Exchange (LME) fecharam em alta nesta sexta-feira, com o euro subindo em relação ao dólar e o mercado de ações mostrando estabilização. Entretanto, traders e analistas alertaram que essa recuperação pode ser apenas de curto prazo depois das fortes quedas na semana passada.

Preocupações de investidores em relação à zona do euro, às perspectivas para a moeda comum europeia e a possibilidade de que problemas com as dívidas europeias soberanas prejudiquem o crescimento global, juntamente com a possibilidade de novas ações da China para esfriar seu mercado imobiliário, levaram os investidores a abandonar posições em metal na semana passada.

O cobre com entrega para três meses na LME fechou em alta de US$ 231,00, a US$ 6.840,00 a tonelada métrica. O chumbo subiu US$ 65,00, para US$ 1.810,00. O zinco ganhou US$ 16,00, a US$ 1.890,00. Os contratos de alumínio subiram US$ 64,00, para US$ 2.055,00. O níquel teve elevação de US$ 200,00, a US$ 21.350,00. E o estanho avançou US$ 185,00, para US$ 17.575,00. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange, o cobre com entrega para junho fechou em alta de US$ 11,65, para US$ 305,55 por libra-peso.

O aumento desta sexta-feira no preço dos metais básicos pode ser apenas temporário, porque os problemas do euro não foram resolvidos e a perspectiva para a China ainda não é clara, disse um trader.

"Os mercados estão focados na Europa, mas a China tem o potencial de ser uma fonte importante de grandes eventos de risco, já que o país procura controlar a bolha no mercado imobiliário", disse o Royal Bank of Scotland (RBS).

Os dados da alfândega chinesa divulgados nesta sexta-feira mostram que as importações do país de cobre refinado em abril fizeram com que o número caísse 2,7% neste ano, para 309.772 toneladas, enquanto as importações de cobre concentrado subiram 17% neste ano, para 606.091 toneladas.

Ouro volta a recuar

"A movimentação do mercado de ações permanece sendo o fator dominante no preço das commodities", afirmou o analista Walter de Wet, do Standard Bank. "Nós queremos que esse mercado se estabilize antes de procurar uma recuperação nos preços dos metais básicos. Os mercados de ações podem encenar algum tipo de recuperação, mas a aversão ao risco limitaria qualquer elevação significativa. Portanto, nossas perspectivas para os metais básicos são de queda".

No mercado de metais preciosos, na Comex os contratos de ouro caíram depois de mais uma sessão volátil, na qual o mercado também atraiu continuamente compras na baixa. "O ouro está fechando em baixa de novo por causa da resposta dos vendedores a chamadas de margem em outras áreas", disse George Gero, vice-presidente da RBC Capital Markets Global Futures, em Nova York.

Entretanto, a maior parte das perdas ocorreu na madrugada, após o grande declínio da Dow Jones na quinta-feira, e desde então o ouro reverteu boa parte da queda. Kevin Grady, trader de ouro da MF Global na Comex, diz que investidores de longo prazo ainda estão procurando o ouro como um refúgio contras as preocupações atuais sobre a crise da dívida soberana na Europa. Ele citou como exemplo a estabilidade nos ETF (exchange-trade funds, fundos negociados como ações) mesmo com o preço do ouro caindo esta semana.

Os contratos de ouro com entrega para junho fecharam em queda de US$ 12,50, em US$ 1.176,10 por onça-troy, mas se recuperaram da mínima de duas semanas de US$ 1.166,00 alcançada na madrugada. A prata com entrega para julho caiu US$ 0,064, para US$ 17,651 por onça-troy. As informações são da Dow Jones.

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