Ministério Público afasta Renê Garcia da Susep

O Ministério Público Federal do Rio pediu o afastamento do cargo do titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Renê Garcia. Sob a acusação de colaborar com o megaespeculador Artur Falk na tentativa de tumultuar o processo de liquidação extrajudicial da Interunion Capitalização, que administrava o Papa-Tudo, Garcia irá responder a ação de improbidade administrativa movida pelos procuradores. Falk está preso na Polinter do Rio desde 26 de julho, como medida preventiva para evitar uma eventual fuga do País. Na ação, os procuradores lembram que Garcia destituiu da função o liquidante da Interunion Antonio Nóbrega Telles de Menezes, cinco dias antes do julgamento do processo contra Falk. O MPF alega que o motivo da exoneração foi o fato de Menezes discordar da posição de Garcia, que beneficiava Falk. Para liquidante, ele nomeou Renato Sobrosa Cordeiro. Renê Garcia não quis se manifestar sobre o assunto. Por meio de sua assessoria, ele informou que irá esperar a comunicação oficial da Justiça. Em julho, quando começaram a circular notícias sobre a denúncia de Menezes, de ter sofrido pressão do superintendente da Susep, Garcia afirmou serem falsas as acusações e disse que a substituição do liquidante foi um procedimento normal. Na ocasião, ele disse nunca ter recebido de Menezes informação sobre eventuais pressões. No pedido da ação de improbidade, o procurador da República Marcio Barra Lima disse que, quando inquirido sobre o motivo da destituição de Menezes, Garcia alegou que o órgão de origem do servidor, o Banco Central (BC), havia requerido o funcionário e que ele estaria apenas acatando a ordem. "No entanto, ele faltou com a verdade ao MPF, uma vez que havia um ofício do BC autorizando a cessão do servidor à Susep até o dia 30 de setembro de 2006". Segundo o procurador, o BC informou que em momento algum houve pedido de devolução antecipada e que a iniciativa partiu da própria Susep. O Ministério Público sustenta que Artur Falk tentou criar a falsa impressão de que a Interunion tem recursos para saldar integralmente seus débitos, o que poderia isentá-lo de punição por crime financeiro. "O ativo só dava para pagar as pessoas que reclamaram à Susep, e não os créditos de todos que possuíam títulos do Papa-Tudo". Pessoas físicas e empresas que já se apresentaram à Justiça para reclamar créditos, representam R$ 28 milhões. As dívidas da Interunion com credores públicos são estimadas em mais de R$ 160 milhões.

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