Minoritários da Ipiranga já começam a calcular perdas

Acionistas minoritários do Grupo Ipiranga estão fazendo as contas para avaliar o tamanho do prejuízo que terão após o anúncio da venda do grupo para o consórcio formado pela Petrobras, Braskem e Ultra, na segunda-feira, dia 19. ?As condições para os minoritários foram arbitradas de forma muito assimétrica em favor dos controladores?, disse Regis Abreu Filho, da Mercatto Investimentos. A empresa ainda está analisando se formalizará reclamação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Abreu Filho lembra que o cálculo do prejuízo não é simples. ?É um negócio que envolve um mega consórcio, duas holdings familiares, com braço na petroquímica, num intrincado organograma. Algumas ações se valorizaram quase 100%, outras caíram 10%. O cálculo é complicado.? Edson Garcia, da Associação Nacional dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), explica que a venda da Ipiranga ainda será analisada em reunião de colegiado da entidade, provavelmente na quinta-feira (dia 22). ?Por enquanto, a Amec está apenas acompanhando as informações. Se fosse uma pura e simples mudança de controle, seria mais fácil: quem tem tag along (direito de proporcionalidade à oferta do grupo controlador) leva e quem não tem, paciência. É do jogo. Mas o caso é mais complexo e ainda não foi analisado por nosso colegiado.? O diretor da gestora Hedging-Griffo, Luís Stuhlberger, disse que as trocas de ações preferenciais emitidas pela Ipiranga por papéis do Grupo Ultra podem provocar discussão judicial. Stuhlberger, que faz a gestão de fundos com ações preferenciais da Ipiranga, disse que há pelo menos três pontos discutíveis: a imposição de troca, o prêmio excessivo pago aos controladores (três vezes mais do que receberá o minoritário) e a definição do valor de troca de uma ação por outra. A gestora de fundos, detentora de um capital de R$ 130 milhões em ações preferenciais das empresas do Grupo Ipiranga, ainda aguarda o laudo do Deutsche Bank para definir se questiona na CVM ou na Justiça a proposta do Grupo Ultra para os minoritários. Somente com o laudo do banco a gestora terá condições de conhecer o cálculo para definir o valor de troca das ações da Ipiranga por outras emitidas pelo Grupo Ultra. O Grupo Ultra informou que cada ação da Refinaria Petróleo Ipiranga (RIPI4) valerá 0,79850 da Ultrapar Participações S.A. (UGPA4). Cada ação da Distribuidora Ipiranga (DPPI4) equivale a 0,64048. Os detentores de ações da Companhia Petróleo Ipiranga (PTIP4) receberão 0,41846 ação da Ultrapar por papel. A Hedging-Griffo poderá esperar ainda cerca de 30 dias para conhecer a avaliação da CVM para o caso. Segundo Stuhlberger, há operações que não passam pela comissão. ?É sempre bom esperar para ouvir o que a autoridade do mercado de capitais vai dizer?, afirmou. O fundo de Stuhlberger tinha algumas ações ordinárias que foram vendidas na última sexta-feira, cerca de R$ 700 mil. ?Não eram muitas, mas tivemos prejuízo porque segunda-feira os papéis dispararam.?

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