Mittal busca novos negócios no País

O bilionário indiano Lakshmi Mittal, controlador da Arcelor Mittal, o maior grupo siderúrgico do mundo, desembarcou no Brasil no fim de semana com uma agenda dupla. Oficialmente, o empresário veio fazer uma visita de rotina a empresas do grupo e a autoridades brasileiras. Seu roteiro incluiu, porém, rodadas de conversas com os responsáveis pela aprovação no Brasil da fusão da Arcelor com a Mittal e encontros com governadores interessados em um novo investimento do grupo no País.A visita de Mittal ocorre dias antes de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidir se a subsidiária da Arcelor no Brasil deve ou não fazer uma oferta pública pelas ações negociadas no País, acompanhando a fusão na matriz. A Arcelor controla a Arcelor Brasil (que reúne CST, Belgo-Mineira e Vega do Sul). Também é dona da Acesita, fabricante de aços inoxidáveis. Analistas calculam que se for obrigada a fazer a oferta, a empresa terá de gastar US$ 5 bilhões a mais. Ontem, Mittal foi à sede da CVM no Rio para tratar do assunto."Apresentamos argumentos muito fortes", disse Mittal, em rápida entrevista na saída da CVM. "Estamos bem assessorados pelos nossos advogados e temos um recurso consistente."A outra parte do roteiro de Mittal está sendo dedicada a conversas de negócios. Desde que chegou ao Brasil, no sábado, o empresário está sendo acompanhado pelo presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, que está buscando novos investimentos de siderúrgicas para o País. Maior exportador de minério de ferro do mundo, a Vale quer aumentar o aproveitamento da matéria-prima no Brasil."Confiamos muito no Brasil e queremos fazer do País a nossa plataforma para um crescimento no futuro", comentou Mittal, na saída da CVM. No fim de semana, o empresário esteve com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, e hoje se encontrará com Aécio Neves, de Minas Gerais. Os dois Estados sediam as principais unidades da Arcelor Brasil, a CST e a Belgo-Mineira."Ele falou que quer crescer no Brasil. Não chegou a citar um projeto específico, mas citou o Espírito Santo como um excelente local", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico do governo capixaba, Julio Bueno.Há cinco meses foi anunciado um estudo da Vale sobre a viabilidade de um investimento de US$ 10 bilhões num complexo siderúrgico no Espírito Santo, o Pólo de Cação, que poderia incluir oito pelotizadoras e a expansão do Porto de Ubu. Mittal disse a autoridades estaduais que estava "impressionado" com o complexo de Tubarão (CST) e que tem interesse em transformar o Brasil em um grande fornecedor de aço para os Estados Unidos.Ontem, Mittal esteve também com o presidente do BNDES, Demian Fiocca. A conversa seguiu no mesmo tom. Segundo fontes ligadas à empresa, Mittal está analisando as melhores estratégias de investimento para o grupo em todas suas operações internacionais.CVMSegundo fontes que acompanharam a reunião na CVM, a visita foi descrita como "de cortesia". Mas, o presidente da comissão, Marcelo Trindade, que estava em Brasília, retornou ao Rio pouco antes da chegada do empresário à sede da CVM, cercada por aparato de segurança e sem acesso da imprensa. O encontro entre Mittal e Trindade ocorreu no início da noite. Segundo fontes, apesar da visita ter caráter apenas "cordial", o pano de fundo seria apresentar a visão da Mittal Arcelor sobre a fusão. E, com isso, mudar a interpretação da CVM.

Agencia Estado,

22 de agosto de 2006 | 09h49

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