Moedas emergentes recuam forte ante o dólar

As moedas de mercados emergentes estão encerrando uma semana melancólica, com a lira turca, o rand sul-africano e o peso mexicano atingindo novas mínimas ante o dólar. A mudança nos fluxos de capital também pressiona o real brasileiro e o zloty polonês, segundo analistas.

Agencia Estado

31 de maio de 2013 | 09h33

Após ultrapassar a marca de 10 rands pela primeira vez em quatro anos ontem, o dólar chegou a avançar a 10,28 rands nesta sexta-feira, com investidores e operadores escolhendo vender divisas problemáticas em meio à tendência de valorização da moeda norte-americana. A perda da lira turca também continua, com o dólar avançando a 1,89 lira, seu maior nível desde janeiro de 2012.

Paul Robson, estrategista de câmbio do Royal Bank of Scotland, atribui o movimento de vendas à melhora da perspectiva da economia dos EUA, num fenômeno que deverá se estender por semanas.

Nos últimos anos, as moedas emergentes se fortaleceram, em parte porque o Federal Reserve norte-americano e outros grandes bancos centrais vêm praticando políticas de relaxamento para sustentar suas economias. Agora que o Fed considera como e quando começar a retirar os estímulos, que incluem compras de bilhões de dólares em ativos mensalmente, a maré está virando.

"O dólar australiano, a lira turca e o real brasileiro deverão se manter sob pressão por um bom tempo", acrescentou Robson.

Para Timothy Ash, chefe de pesquisas para mercados emergentes do Standard Bank, a reversão que se começa a ver nos fluxos de capital também afeta as moedas emergentes. Segundo o Barclays, que citou dados da EPFR Global, as ações de países emergentes tiveram uma perda de US$ 2,94 bilhões na semana encerrada no dia 29.

"É uma questão do que entra e sai em termos de fluxo", disse Ash, acrescentando que o real, a lira turca, o zloty e o peso mexicano são as moedas mais vulneráveis à reversão no fluxo, já que foram as mais beneficiadas por entradas de capital.

O euro foi pego no movimento de valorização do dólar, recuando também após dados desanimadores da economia da zona do euro, cuja taxa de desemprego subiu para o nível recorde de 12,2% e inflação anual ficou em 1,4%, bem abaixo da meta oficial de 2% do Banco Central Europeu (BCE).

Os investidores também aguardam nesta manhã a divulgação de indicadores dos EUA, que incluem renda e gastos pessoais e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.

Às 9h27 (de Brasília), o euro era negociado a US$ 1,3003, ante US$ 1,3049 no fim da tarde de ontem em Nova York, e recuava também para 130,53 ienes, de 131,44 ienes. A libra estava praticamente estável, a US$ 1,5224. Apesar de avançar ante moedas emergentes, o dólar recuava diante da divisa japonesa, para 100,40 ienes, de 100,72 ienes ontem. O índice Wall Street Journal do dólar, que acompanha seu desempenho antes uma cesta de moedas, estava em 74,96, ante 75,751. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
mercadocâmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.