Movimento de estrangeiros na Bovespa cresceu 61%

A movimentação dos investidores estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cresceu 61% em 2006, de R$ 261,87 bilhões para R$ 423,82 bilhões. Mas o saldo do ano - resultado das compras menos as vendas do período - foi inferior ao de 2005: R$ 1,75 bilhão, ante R$ 5,86 bilhões. Isso porque, segundo analistas, houve mais volatilidade no mercado acionário no ano passado por causa de uma série de fatores internos e externos. Além da crise política brasileira, as incertezas em relação à economia americana pressionaram a Bovespa durante 2006 e provocaram altas e baixas significativas. Apesar disso, a Bolsa paulista fechou o ano com valorização de 32,93% - rentabilidade que enche os olhos de qualquer investidor estrangeiro, especialmente num cenário de juros baixos no mundo. Por esse motivo eles dominaram os negócios na Bolsa brasileira, com 35,5% de participação no mercado. Em 2005, esse número estava em 32,8% e há dez anos, em 28,6%. No ano passado, eles compraram R$ 212,79 bilhões em papéis negociados na Bovespa e venderam R$ 211,03 bilhões, o que resultou no saldo de R$ 1,75 bilhão. ?O saldo menor não significa que há descrença do investidor em relação ao País. Pelo contrário, os números estão melhores por causa do amadurecimento do mercado brasileiro?, afirma o diretor de operações da corretora ABN Amro, Marc Helder Olichon. Segundo ele, o movimento estrangeiro deve continuar em 2007, com crescimento entre 30% e 40%. Esse avanço já reflete a possibilidade de o País conseguir ser classificado como investment grade (avaliação de crédito para aplicações de baixo risco) em 2008. ?Ninguém vai querer ficar de fora?, diz Olichon. Com a melhora da classificação de risco, fundos estrangeiros que hoje não podem investir no País por causa de cláusulas contratuais também vão movimentar a bolsa Paulista, afirma economista da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Abertura de capital Na avaliação dele, boa parte do movimento estrangeiro em 2006 pode ser atribuído ao excelente número de abertura de capital. No total, 25 empresas estrearam na Bolsa paulista, sendo 70% das novas ações adquiridas por investidores externos. Boa parte dos recursos vindos de fora são de fundos dedicados a mercados emergentes e hedge funds (fundos que atuam em vários mercados e apostam além do seu patrimônio), afirma o analista da Prosper Gestão, Gustavo Barbeito. Ele explica que o movimento dos estrangeiros no ano passado é resultado do aumento de empresas na Bolsa, queda do risco país, juros menores no mundo e melhora da imagem institucional do País no exterior. Em 2007, o desempenho da Bovespa vai depender, além do cenário internacional, também de medidas internas. Entre elas a realização das reformas necessárias ao crescimento econômico do País, como a reforma tributária, trabalhista e da previdência, afirmam os especialistas.

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