Mudanças na YPFB favorecem negociações com Petrobras

A decisão do governo Evo Morales de passar o comando da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB) para Juan Carlos Ortiz Bánzer, especialista no setor que foi gerente da Petrobras no país, e de delegar as relações com o Brasil a seu vice-presidente, Álvaro García Linera, trouxe expectativas de melhoria nas delicadas conversas entre Brasília e La Paz. Apesar dos riscos sempre presentes de uma reviravolta, o Itamaraty espera que as declarações contraditórias dêem lugar a um diálogo fluído. Anteontem, Evo Morales demitiu o então presidente da YPFB, Jorge Alvarado, político responsabilizado pelo atraso no processo de nacionalização das empresas das área de gás e petróleo e envolvido em acusações de fraude em um contrato de venda de petróleo. Nessa primeira demissão em alto escalão nos seus oito meses de governo, Evo elevou ao comando da estatal o seu vice-presidente, Ortiz Bánzer - um dos antigos técnicos da YPFB que, na época da sua desativação, procurou emprego em empresas privadas. Entre 2001 e 2004, foi gerente da Petrobras Bolívia. Procedente da elite de Santa Cruz de la Sierra e sobrinho do ex-presidente Hugo Bánzer, Ortiz Bánzer atuou no setor petroleiro do Equador e na empresa do ex-chanceler Carlos Saavedra Bruno. ?Não sei se a negociação entre a Petrobras e a YPFB terminará com resultados satisfatórios?, disse uma fonte do Itamaraty. ?Mas, a partir de agora, a tendência é que se fale a mesma linguagem dos dois lados da mesa. O diálogo era de surdos. Os negociadores bolivianos não conhecem a linguagem do setor petrolífero?, completou, fazendo referência especialmente a Alvarado. Um dos exemplos dessa dificuldade de entendimento se dava na insistência da Bolívia em promover uma negociação de governo a governo sobre o aumento dos preços do gás exportado ao Brasil. Os negociadores bolivianos custavam a entender que a União não é a dona de 100% das ações da Petrobras, como é o caso da YPFB, e que seria impossível à companhia desviar-se da lógica estritamente empresarial ao tratar do reajuste do preço do insumo. Os técnicos bolivianos também não conseguiam apresentar uma fórmula alternativa para o reajuste. Queriam só aumento de preço. Para o Itamaraty, o importante neste momento é que a proposta do vice-presidente García Linera de promover uma negociação mais ampla entre Bolívia e Brasil sobre o gás - que envolveria o reajuste dos preços, o contrato entre a YPFB e a Petrobras, a indenização pela nacionalização e os investimentos no setor - alcance todos os escalões do governo boliviano. Especialmente, o ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Solíz Rada. Esse formato impediria, por exemplo, a reprodução de sinais contraditórios, como os ocorridos nos últimos meses. No fim de maio, no mesmo dia em que Solíz Rada acusava a Petrobras de sabotagem, García Linera afirmava que a Bolívia pretendia ser parceira da empresa brasileira.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2006 | 10h25

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