Multinacionais criam centros de software no Brasil

Grupos internacionais de grande porte, como Dell, HSBC, Citibank, Alcoa e Johnson&Johnson escolheram o Brasil para investir em centros de tecnologia de desenvolvimento de software para suas redes globais. Analistas e executivos brasileiros e estrangeiros reunidos na sexta-feira passada, no Rio, em conferência sobre o assunto, disseram que apostam no crescimento da participação brasileira no mercado global de tecnologia.No ano passado, as exportações brasileiras do setor ficaram em US$ 800 milhões. "Este ano vamos chegar a US$ 1 bilhão e estaremos preparados para atingir US$ 2 bilhões, talvez no ano que vem", afirmou o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, durante o evento.A Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom), organizadora do encontro, estima que o Brasil pode chegar a 2010 com US$ 5 bilhões em vendas externas. O mercado mundial em 2010 será de US$ 100 bilhões, avalia a Brasscom.O vice-presidente do Citigroup Eastcoast Technology Investment Banking, Brian Mass, disse não ter dúvidas de que o Brasil vai crescer no panorama mundial, mas não quis avalizar a projeção da Brasscom."Há um longo caminho antes de chegar lá. Não estou dizendo que não vai acontecer, mas depende muito de empresas européias e americanas, como a IBM e a Accenture, trazerem os seus clientes para cá", disse, referindo-se a duas empresas de informática que têm centros de pesquisa no Brasil.O presidente do Centro Global de Tecnologia de Desenvolvimento de Software do HSBC no Brasil, Jacques Depocas, também acredita no crescimento do setor no Brasil, mas considera ambiciosa a meta da Brasscom para 2010. O banco só tem outros centros desse tipo na Índia e na China.Depocas conta que o HSBC escolheu o Brasil pela proximidade com os EUA, pela qualidade profissional e pelo baixo custo de mão-de-obra, cerca de 70% menor que em Nova York.Mass disse que os clientes americanos e europeus já perceberam os riscos de concentrarem suas contratações na Índia, país líder nesse setor. E deu um exemplo extremo: "Pode ocorrer uma guerra nuclear entre o Paquistão e a Índia."Canadense, morando há 13 anos no Brasil, Depocas diz que a Índia tem mais facilidade para baixar preços e que o Brasil tem um problema de marketing. "Lá fora não se sabe que o Brasil tem bons profissionais de informática", disse. (Colaborou Jacqueline Farid)

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