Na contramão externa, dólar cai mais de 1% no fechamento

Cotação termina em baixa de 1,44%, a R$ 2,322, no mercado à vista

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

05 de setembro de 2013 | 18h09

Em um dia com volume expressivo no mercado futuro, o dólar à vista negociado no balcão fechou em baixa ante o real, na contramão do exterior. Profissionais do mercado citaram diferentes motivos para que a moeda norte-americana recuasse de forma consistente no Brasil nesta quinta-feira, 5, a despeito de em outras praças sustentar ganhos ante divisas de países ligados a commodities.

Dos fatores citados estão a venda de moeda no mercado futuro, com especuladores embolsando lucros antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos(payroll), na sexta-feira, 6, e a possível entrada de recursos estrangeiros no País. O dólar à vista terminou em baixa de 1,44%, cotado a R$ 2,322. O dólar para outubro, que é negociado até as 18 horas, tinha baixa de 1,41%, a R$ 2,340, cerca de meia hora antes do fim das transações.

Na abertura, o dólar à vista alcançou R$ 2,3710 (+0,64%), a máxima do dia. Ainda na primeira hora de pregão, passou a cair. Na mínima, a cotação atingiu R$ 2,3170 (-1,66%).

Mais cedo, a operação de venda de 10 mil swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), em um total de US$ 497,3 milhões, contribuiu para o recuo. Além da "injeção diária" de liquidez, os investidores reagiam às declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, no sentido de manutenção da política de estímulos. Operadores citaram ainda a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a ideia de que haverá elevação de mais 0,50 ponto porcentual da Selic em outubro.

A pressão de baixa do dólar ante o real, no entanto, foi se intensificando. "Houve comentários de entrada de recursos no à vista. A taxa do cupom cambial até recuou", afirmou um profissional da mesa de câmbio de um grande banco. "O investidor estrangeiro pode ter entrado para participar do leilão de títulos do Tesouro na metade do dia", acrescentou.

O Tesouro vendeu cerca de R$ 5,471 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F), um volume um pouco superior ao que vinha sendo visto em operações anteriores.

"Temos que lembrar que também haverá o payroll amanhã", citou outro operador. "Então, o pessoal pode ter resolvido realizar lucro. Se o payroll vier ruim, o mercado pode deixar de apostar em uma mudança em setembro", comentou. Por esta lógica, como o dólar subiu muito recentemente, alguns investidores podem ter decidido vender moeda no futuro, embolsando os ganhos, à espera de um cenário mais claro nos EUA.

"O BC também tem alimentado diariamente, com os leilões de swap, os desmontes de posições no futuro", observou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. "É preciso considerar isso, porque fica mais complicado manter posições compradas", acrescentou.

Na contramão, no exterior o dólar subia ante o euro, o iene japonês e a maior parte das moedas de países exportadores de commodities.

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