Na Europa, bolsas sobem após ação conjunta de Bancos Centrais

Anúncio de que bancos cobrarão menos de instituiçõies financeiras que precisarem de crédito animou investidores

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

30 de novembro de 2011 | 16h25

Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em alta, refletindo a satisfação dos investidores com a notícia de que os principais bancos centrais do mundo vão agir em conjunto e cobrar menos das instituições financeiras que precisarem tomar empréstimos em dólar. O anúncio diminuiu bastante os receios com a possibilidade de um aperto no crédito piorar a crise das dívidas europeias.

"A obtenção de financiamento em dólar é um grande problema e esse movimento reconhece isso. Também é bom que os bancos centrais do mundo estejam agindo juntos", disse Louise Cooper, estrategista do BGC Partners.

Apesar disso, segundo Koen De Leus, estrategista da KBC Securities, os bancos centrais já agiram de forma coordenada antes e o histórico mostra que os efeitos positivos tendem a ser breves. "Não é suficiente. É uma iniciativa temporária de liquidez, algo bom, mas que não vai resolver o problema", acrescentou.

Outro fator que deu suporte às bolsas foi a decisão do Banco do Povo da China (PBOC) de cortar a taxa de compulsório em 0,5 ponto porcentual a partir de 5 de dezembro. A medida aumenta a quantidade de dinheiro que os bancos podem emprestar para as empresas e consumidores e em tese pode incentivar o crescimento da economia do país.

O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 8,40 pontos, ou 3,63%, para 240,08 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 avançou 168,42 pontos, ou 3,16%, para 5.505,42 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 127,86 pontos, ou 4,22%, para 3.154,62 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em alta de 288,93 pontos, ou 4,98%, a 6.088,84 pontos.

Em Milão, o índice FTSE MIB subiu 641,29 pontos, ou 4,38%, para 15.268,66 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, avançou 321,50 pontos, ou 3,96%, para 8.449,50 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 172,79 pontos, ou 3,22%, para 5.536,32 pontos. O ASE, da Bolsa de Atenas, avançou 20,69 pontos, ou 3,13%, para 682,21 pontos.

Em novembro, no entanto, os índices europeus acumularam queda, sendo a mais acentuada a do ASE, de 15,63%. O IBEX e o PSI 20 recuaram 5,6% cada, enquanto o FTSE MIB teve baixa de 4,67%. O CAC 40 perdeu 2,72%, seguido por Stoxx 600 (-1,39%), Xetra DAX (-0,85%) e FTSE 100 (-0,70%).

As ações de empresas ligadas ao segmento de matérias-primas estavam entre os destaques da sessão desta quarta-feira. BP e Royal Dutch Shell subiram 5% e 3,9%, respectivamente, enquanto a mineradora BHP Billiton fechou em alta superior a 6%. A siderúrgica ArcelorMittal teve ganho de mais de 11%.

Entre as montadoras, a Volkswagen subiu 6,5% enquanto a Daimler e a BMW avançaram mais de 5% cada. Mais cedo, o JP Morgan Cazenove aumentou a recomendação das ações da BMW para "acima da média", de "neutra", e cortou a dos papéis da Daimler para "neutra", de "acima da média".

As ações do grupo de investimento francês Wendel subiram mais de 16% depois de a TE Connectivity anunciar que concordou em comprar o Deutsch Group SAS, pertencente ao Wendel por cerca de US$ 2,1 bilhões. As informações são da Dow Jones.

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