Na véspera do Copom, juros caem mais com IPCA-15 e IGP-M

IBGE trouxe mais um indicador fraco de inflação, o IPCA-15 de julho caiu 0,09%, ante avanço de 0,19% em junho e variação zero do IPCA de junho

Denise Abarca, da Agência Estado,

20 de julho de 2010 | 15h43

A deflação do IPCA-15 de julho mais forte do que previam os analistas e com núcleos bem comportados, somada à forte desaceleração do IGP-M na segunda prévia do mês, alçou a aposta de alta da Selic em 0,5 ponto porcentual agora em julho à condição de majoritária na curva de juros e pressionou as taxas futuras ainda mais para baixo nesta véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Ao término da negociação normal da BM&F, o volume de contratos era robusto. O vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 (227.190 contratos negociados hoje) estava em 10,835% ao ano, de 10,85% no ajuste de ontem; o DI de janeiro de 2011 (981.725 contratos negociados) caía de 11,05% ao ano para abaixo do nível de 11%, a 10,97%; o DI de janeiro de 2012 (369.360 contratos negociados) estava na mínima de 11,61%, de 11,73% ontem; e o DI de janeiro de 2014 (18.395 contratos negociados) recuava de 12,05% para a mínima de 11,97%.

Antes do início dos negócios, a FGV informou que o IGP-M, na segunda prévia de julho, ficou muito perto do zero, com pequena variação positiva de 0,03%, ante alta de 1,06% em igual leitura do mês passado. O resultado ficou bastante aquém da mediana das estimativas colhidas pelo AE Projeções, de 0,13%, calculada a partir do intervalo entre zero e 0,21%. O coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, considera a queda, no atacado, do item materiais para manufatura (-0,32% na segunda prévia de julho, ante 1,02% em igual prévia de junho), como o destaque do índice. "Esse dado mexe com a perspectiva futura de inflação, pois diminui a necessidade de repasse", disse.

Em seguida, logo na abertura, o IBGE trouxe mais um indicador fraco de inflação ao divulgar que o IPCA-15 de julho caiu 0,09%, ante avanço de 0,19% em junho e variação zero do IPCA de junho. O piso das projeções era de -0,03%. O recuo foi determinado pela queda de 0,80% nos preços do grupo Alimentos e Bebidas, acima da redução de 0,42% no mês anterior, de acordo com o IBGE.

Os números impuseram nova rodada de baixa para os juros, e mesmo os contratos longos, que em tese deveriam subir com a expectativa de uma política monetária menos incisiva nos próximos meses, caíram. "A aposta de 0,5 ponto virou majoritária na curva e até mesmo alguns economistas estão revendo suas expectativas depois do IPCA-15", afirma Huang Kuo Seen, gestor da Grau Gestão de Ativos, informando que a curva a termo aponta mais de 60% de possibilidade para esta opção, com pouco mais de 30% de chance para a aposta de 0,75 ponto porcentual.

Não somente o número cheio, mas a abertura do IPCA-15 veio muito favorável. De acordo com o estrategista-chefe da CM Capital Markets Luciano Rostagno, o núcleo por exclusão ficou em 0,20%, de 0,50% em junho; o núcleo por Dupla Ponderação desacelerou a 0,19%, de 0,43% em junho; e o índice de Difusão caiu para 49,0%, de 61,5% em junho.

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