Nacionalização de peças fica em segundo plano

As indústrias que traçaram ousados planos de nacionalização de peças e componentes logo após a mudança do regime cambial em janeiro de 1999 dizem que não desistiram da idéia. Elas admitem, no entanto, que hoje a redução de custos é uma questão prioritária para competir. Nesse aspecto a substituição de componentes nacionais mais caros por importados mais baratos é uma peça fundamental.O diretor de Compras e Logística da Bosch, Gerson Sini, que importa da China, da Itália e da Alemanha peças de aço usinadas ou estampadas, diz que a intenção não é desmantelar a rede de fornecedores nacionais. Tanto é que há duas semanas a empresa reuniu cerca de 100 fornecedores para mostrar a necessidade de reduzir custos."O aço brasileiro está extremamente caro", afirma Sini. A redução de custos se tornou crucial para empresa não cair no prejuízo, observa o executivo. Ele destaca também que a companhia precisa reduzir custos para ser mais competitiva no exterior, pois as exportações representam 40% do faturamento.A fabricante de motores Cummins é outra companhia que diz não ter deixado de lado o plano agressivo de nacionalização de peças e componentes iniciado em 1999. A meta era atingir o índice de 80% de nacionalização. Hoje esse indicador é de 70% "O plano de nacionalização não está abandonado, porém estamos procurando fornecedores onde os custos são menores", admite o diretor de Marketing, Luís Pasquotto. Com o real valorizado e a mudança da plataforma do motor de mecânico para o eletrônico, que usa muitos itens importados, a empresa apressou a busca de fornecedores na China e na Índia.As importações da China, que não constava como fornecedor da Cummins, respondem por US$ 3 milhões de total de US$ 175 milhões de compras deste ano. No caso da Índia, as importações ainda são inferiores a US$ 1 milhão.A Cummins importa camisas de cilindros, carcaças de volante e de engrenagem feitas de alumínio, cabeçote de filtros, entre outros. O preço de alguns itens chega a ser até 50% mais barato em relação aos nacionais.A diferença de preço entre o componente importado e o nacional é confirmado pelo diretor da fábrica de camisas de cilindro da Cofap, Lourival Abrão. A companhia importa da China ferro-ligas e ferramental de moldes de fundição e fixação, além de aços especiais. As negociações com fornecedores estrangeiros começaram na metade deste ano. As importações vão representar em 2006 entre de 10% a 20% das compras em dólar. Em 2005, a empresa não adquiria esses produtos no exterior.

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