Nelson Tanure volta a negociar a Editora Três

A opção da compra da Editora Três, do empresário Domingo Alzugaray, retornou para o empresário Nelson Tanure, dono da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), como informa Francisco Britto, presidente da Ogilvy Public Relations Brasil, em nome de Tanure. Na semana passada, era dada como praticamente certa a venda da editora para o Grupo Opportunity, de Daniel Dantas.O novo rumo do negócio começou a ser delineado na sexta-feira, quando Tanure fez um aporte de recursos a pedido de Alzugaray para pagamento de salários em atraso de funcionários - que aguardavam ontem a confirmação do depósito nas contas para suspenderem o estado de greve - e também de alguns fornecedores.Os valores envolvidos não foram revelados. "O empréstimo não gera compromisso de compra", diz Britto. "Será feita uma due diligence para se avaliar os estragos das últimas semanas, uma vez que Tanure vinha conversando há algum tempo sobre o negócio e as conversas foram suspensas com a entrada de outro interessado."Na semana passada, Daniel Dantas chegou a comentar com alguns colaboradores que a compra de 51% de participação seria concluída no começo desta semana. Britto não comenta a desistência, por alegar desconhecimento das razões, mas confirma que ela ocorreu.No mercado, especula-se que a saída de Dantas seria conseqüência justamente do pedido de antecipação de recursos, antes mesmo da efetiva assinatura de qualquer contrato.A exemplo do que já fez no passado, no processo de aquisição das marcas Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil, Tanure ganha tempo ao solicitar uma auditoria para concluir a negociação. O prazo estipulado seria de 90 dias. Britto se limita a dizer que não há prazo, até porque não houve tempo sequer para dar o mandato para um banco realizar todo o trabalho de levantamento de dados. A Editora Três já esteve à venda, pelo menos, em uma oportunidade. Mas o negócio, com o Banco Patrimônio, não foi à frente.O Opportunity fez uma proposta de aquisição de direito de uso da marca. O acordo funcionaria como uma joint venture para licenciamento. Seria estruturada uma nova empresa e dela estariam afastadas as dívidas da editora, que giram em torno de R$ 600 milhões.Alzugaray, que continuaria com 49% de participação no editora, ficaria responsável pelo passivo do grupo, que acumula dívidas trabalhistas e tributárias.

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