Nos EUA, ata do Fed concentra atenções

Na semana passada, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, acalmou investidores do mundo todo ao dizer que o mercado de imóveis nos Estados Unidos passa por uma "correção substancial", que contribui para a desaceleração da economia. Suas afirmações poderão ser conferidas - e confirmadas - na quarta-feira, quando o Fed divulga a ata de sua última reunião, realizada no dia 20 de setembro. No encontro, os diretores da instituição mantiveram o juro em 5,25% ao ano. "Este é, sem dúvida, o grande destaque da agenda internacional da semana", disse o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. "Se a ata confirmar a fala de Bernanke, será positivo para os mercados." Na terça-feira passada, o Índice Dow Jones da Bolsa de Nova York bateu seu recorde histórico, que foi renovado nos dois pregões seguintes. O desempenho do mercado acionário americano daqui para a frente está diretamente ligado ao comportamento da economia do país. Hoje, a grande dúvida dos analistas é saber se os EUA caminham para uma desaceleração brusca ou suave. Nesse sentido, as declarações de Bernanke sobre o mercado imobiliário e, conseqüentemente, sobre o esfriamento da economia americana foram um bálsamo. "Já sabemos que o ciclo de aperto monetário acabou, agora as apostas estão voltadas para quando o Fed começará a reduzir a taxa de juros", explicou Neto. Para ele, haverá ao menos um corte ao longo do primeiro semestre de 2007. Mas nem todos os especialistas estão seguros de que esse cenário vai se confirmar. O economista-chefe global do banco HSBC, Stephen King, acredita que o desaquecimento do setor imobiliário resultará numa forte desaceleração da economia dos Estados Unidos. "É o grande risco para o mundo em 2007", afirmou. Nas projeções de King, o PIB americano sairá de uma expansão de 3,5% este ano para 1,9% em 2007. "Mas acredito que, no último trimestre do ano que vem, a economia dos EUA estará crescendo a um ritmo de 1,3% anualizado." O ex-presidente do Fed Alan Greenspan tem avaliação semelhante à de seu sucessor. Ele acredita que o mercado de imóveis residenciais dos EUA pode ter deixado o pior para trás. Greenspan observou que os dados semanais de requerimentos de hipotecas "estabilizaram" depois dos recentes declínios. De acordo com dados semanais da Associação dos Bancos Hipotecários, os pedidos de hipotecas para compra de residências cresceram 7,6% na semana encerrada em 29 de setembro e os requerimentos para refinanciamento aumentaram 17,5%, com o declínio das taxas hipotecárias. Com informações de agências internacionais.

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