Nova bolsa terá custo como um dos principais diferenciais

Bolsa comandada por Bats Global Markets e Claritas não deve começar a operar neste ano

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

15 de fevereiro de 2011 | 15h19

A nova bolsa que a Bats Global Markets e a gestora Claritas pretendem criar no Brasil terá como um dos principais diferenciais os custos. Em entrevista à Agência Estado, o chefe para desenvolvimento de negócios globais da empresa, Ken Conklin, citou como exemplo a operação da Bats nos Estados Unidos.

 

Segundo ele, quando a empresa estreou no mercado norte-americano, em 2005, a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) fazia uma receita de US$ 0,10 por 100 ações negociadas, enquanto a Bats começou com US$ 0,01 por 100 ações. Hoje, segundo ele, a NYSE faz receita de cerca de US$ 0,03 por ação e a Bats segue com o mesmo valor.

 

O executivo não revelou quando a nova bolsa começa a operar no Brasil, mas adiantou que não será em 2011. Segundo ele, além dos custos competitivos, a nova bolsa quer oferecer melhor tecnologia e serviços. Na negociação de ações, a estratégia também é fazer como no mercado norte-americano. Lá, a bolsa só negocia os papéis que estão listados na NYSE e na Nasdaq.

A Bats Basil, nome preliminar da bolsa que a Bats Global Markets pretende criar no mercado brasileiro, deve negociar inicialmente apenas ações de companhias listadas na BM&FBovespa, disse há pouco o chefe para desenvolvimento de negócios globais da empresa, Ken Conklin, à Agência Estado.

Mas ele admitiu que negociações com outros ativos, como derivativos, e também para ter empresas listadas diretamente na Bats Brasil não estão descartados nos planos futuros da empresa. "Temos soluções para atuar no mercado secundário. Nosso foco não está no mercado primário", disse o executivo.

Conklin disse, contudo, que não poderia falar se a Claritas será sócia na Bats Brasil após a abertura da bolsa.

Pelo acordo assinado, as duas instituições irão trabalhar juntas na criação de um nova bolsa de valores no País, que contará com serviços de clearing e custódia. Já

O escritório de advocacia Freitas e Leite Advogados, especializado em finanças e mercado de capitais, atuará como consultor legal na operação.

Conklin disse ainda que a Bats não cogitou a possibilidade de algum tipo de parceria com a BM&F Bovespa quando pensou em atuar no Brasil. "Não acreditamos que isso traria uma real competitividade", afirmou. Ele se negou, no entanto, a comentar se em algum momento a Bats teve conversas com a BM&FBovespa antes de decidir pela abertura da bolsa.

Conklin disse que a Bats olha com interesse outros mercados emergentes, como China e Cingapura, mas disse que por enquanto só há planos de entrar no mercado brasileiro. "Nosso foco hoje é o Brasil. É lá que vemos grandes oportunidades", explicou.

Perfil

A Bats Global Markets atua hoje nos Estados Unidos e na Europa, tendo representado 10,3% das ações negociadas em janeiro no mercado acionário norte-americano, com 1,3% da fatia do mercado do país. Todas as ações listadas na Nyse e Nasdaq podem ser negociadas na Bats Exchange. Na Europa, ao redor de 6% das ações são negociadas na Bats Europe.

A Bats é uma empresa de capital fechado e Conklin se negou a comentar se ela poderia fazer uma oferta de ações para abrir o capital este ano ou em algum outro momento.

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