Nova projeção para o Ibovespa em 2007

O ano de 2007 começa com bastante otimismo para o mercado de renda variável brasileiro. O mês de dezembro de 2006 levou o Ibovespa a níveis históricos, tanto de preço quanto de volume de transações. Durante o mês também foram feitos vários comentários sobre o potencial de transações primárias e secundárias em 2007, aumentando ainda mais a visibilidade do mercado de ações - e com isso potencialmente elevar as cotações. Decidimos revisar nossa projeção para o Ibovespa para o final de 2007 para refletir todos estes fatores novos. Anteriormente, nossa projeção considerava uma aproximação de fluxo de caixa das empresas listadas no índice baseada nas projeções de resultados da equipe de pesquisa. Em geral, utilizávamos projeções de três anos, complementando o remanescente com uma perpetuidade. Por mais que este mecanismo fosse razoavelmente acurado, preferimos adotar outra metodologia que capturasse mais as perspectivas de longo prazo. Nossa nova metodologia considera uma média ponderada do potencial de valorização de cada papel que tem peso no índice ponderado pela sua participação. Utilizamos o potencial de valorização definido por nossa equipe de pesquisa (temos sob o nosso universo de cobertura mais de 95% do Ibovespa). Para as ações que não cobrimos, utilizamos o consenso de mercado. Assim, chegamos a um potencial de valorização teórico para o índice e a partir daí a projeção em pontos. Esta metodologia nos levou a um preço-alvo para o Ibovespa de 54.100 pontos ao final de 2007, representando uma valorização potencial de 21,7% no ano. Acreditamos que esta metodologia reflete melhor nossa visão para cada um dos componentes do Ibovespa - e para o mercado de ações como um todo. Esta avaliação serve como confirmação da nossa opinião que 2007 deve continuar sendo positivo para o mercado de ações brasileiro. Os patamares de avaliação já não estão tão folgados quanto há três ou quatro anos, portanto a escolha das ações certas toma importância ainda maior. Durante 2007, alguns setores devem se transformar, com a inclusão de várias novas ações e aumento significativo de volumes. Em muitos casos, as melhores opções podem ser ações fora do Ibovespa e do IBX50, tal qual 2006, com ênfase especial para as ações estreantes. Considerando o risco associado com este tipo de investimento, torna-se mais importante ainda estudar e conhecer cada ativo profundamente. Tomando uma visão externa, temos que tentar entender como os investidores estrangeiros olham o mercado de ações brasileiro. Todas as avaliações são relativas, e os mercados são precificados um contra o outro. Vale notar que em termos de múltiplos o mercado brasileiro ainda está barato para os investidores comparando-se com as outras bolsas de países emergentes.Esta diferença deverá ser um dos fatores preponderantes para que investidores estrangeiros aumentem sua presença no mercado brasileiro durante o ano (em detrimento de outros países), à medida que o risco país caia. É claro que o fluxo de investimentos no Brasil será em grande parte condicionado pelas condições de liquidez do mercado internacional, mas o Brasil tem conseguido se diferenciar positivamente de seus pares emergentes. Mesmo com o crescimento do país em baixa, a única coisa que poderia levar o capital estrangeiro a fugir em massa, fora uma crise de liquidez global, seria uma mudança brusca e inesperada na política econômica do governo - que consideramos bastante improvável. Panorama Internacional Para 2007, no mercado internacional a primeira coisa que chama a atenção é que o ano começa menos consensual do que o ano anterior. Alguns participantes apostam em quedas dos juros americanos, outros em alta e alguns em manutenção. E isso faz toda a diferença para o mercado acionário americano e, por conseqüência, para o brasileiro. Panorama Doméstico O ambiente doméstico começa 2007 sem muita diferença de como esteve em grande parte de 2006: inflação sob controle e com as principais preocupações de longo prazo se concentrando no fraco crescimento e na política fiscal. Continuamos acreditando que a combinação de índices de inflação sob controle com dados de atividade fracos oferece espaço para mais reduções de taxas de juros pelo Banco Central. Estimamos que a taxa Selic termine o ano de 2007 em 11,75%, considerando mais um corte de 50 pontos-base na reunião de 24 de janeiro.

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