Nova York abrirá de olho na fala de Fed de Saint Louis

Os índices futuros apontam para uma abertura em baixa das bolsas norte-americanas nesta quarta-feira, 14. A grande expectativa do dia é para as duas apresentações do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard, nesta tarde. Às 10h15 (de Brasília), o Dow Jones futuro recuava 0,16%, o Nasdaq ganhava 0,07% e o S&P 500 cedia 0,08%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

14 de agosto de 2013 | 10h32

Nem mesmo a notícia de que a zona do euro saiu da recessão mais longa do pós-guerra animou Wall Street nesta quarta-feira. O ritmo de negócios segue fraco e os índices iniciaram a manhã com predomínio das ordens de vendas. O Produto Interno Bruto (PIB) da região subiu 0,3% no segundo trimestre ante o primeiro período de 2013. A previsão dos analistas era de que aumentasse 0,2%. Entre os países da região, um dos destaques foi a Alemanha, que registrou crescimento de 0,7% no mesmo período de comparação.

Uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch mostra que o nível de confiança dos gestores de fundos na Europa está próximo de chegar ao patamar mais alto em nove anos. A pesquisa revela que 88% destes profissionais apostam em recuperação da zona do euro nos próximos 12 meses.

Nos EUA, apenas um indicador foi divulgado nesta quarta-feira, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês). Em julho, o índice ficou estável ante expectativa de aumento de 0,3% dos especialistas. O número mostrou desaceleração depois da alta de 0,8% em junho, por causa da queda nos preços de energia, sobretudo do gás, o vilão naquele período, e da estabilidade no preço dos alimentos.

As atenções dos investidores, porém, estão voltadas para a apresentação de Bullard, que tem poder de voto nas reuniões de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Bullard surpreendeu todo mundo e foi voto dissidente na reunião de junho, por acreditar que as compras de bônus deveriam ser aumentadas em vez de mantidas. No mês passado, porém, ele votou a favor de seus colegas pela manutenção das compras e, em uma apresentação no início de agosto, argumentou que é preciso mais indicadores econômicos para decidir quando reduzir o ritmo de compras de ativos. A inflação atual, abaixo da meta do Fed, é um dos argumentos contra a retirada de parte dos estímulos, frisou.

Em seguida, alguns de seus colegas do Fed, sobretudo alguns sem direito à voto este ano no Fomc, falaram o contrário, sugerindo que há a possibilidade de retirar parte dos estímulos em setembro. Entre eles, o presidente da regional de Atlanta, Dennis Lockhart. Na terça-feira, 13, ele voltou a falar desta possibilidade. "Eu não descarto setembro de forma alguma", disse a jornalistas após fazer uma palestra na qual foi mais comedido em seus comentários. O dirigente frisou na apresentação que a primeira redução de estímulos deve ser um "passo cauteloso" e que os ganhos no mercado de trabalho são "fortes", mas o crescimento econômico dos EUA continua "apagado".

Bullard fala nesta quarta-feira em dois eventos, um no Rotary Club e outro no centro de convenções da cidade de Paducah, no estado de Kentucky. Pelo horário de Brasília, o primeiro será às 14h20 e o segundo, às 16h15. O tema é "Os desafios da política monetária". O dirigente tem ainda um terceiro evento na manhã desta quinta-feira, 15, em um hotel em Louisville, também em Kentucky.

No noticiário corporativo, a temporada de anúncio de resultados trimestrais, que deu uma esfriada nos últimos dias, prevê alguns grandes balanços para esta quarta-feira. Entre os nomes, a gigante de tecnologia Cisco Systems, a rede de varejo Macy''s e a Deere & Co, fabricante de tratores e equipamentos agrícolas. Entre as companhias que já apresentaram os números, a Macy''s decepcionou e sua ação recuava 3,38% no pré-mercado. O lucro subiu 0,7% no segundo trimestre, mas as vendas caíram 0,8% e a empresa reduziu sua projeção de vendas para 2013.

Já o papel da United Parcel Service (UPS) recuava 0,36% no pré-mercado com a notícia dada nesta manhã pela imprensa de que um avião cargo Airbus A300 da empresa de entregas caiu no Estado norte-americano do Alabama nesta manhã, com dois mortos.

Ainda sobre aviões, a notícia de terça-feira, 13, de que o Departamento de Justiça dos EUA abriu um processo para tentar bloquear a fusão entre a AMR Corp, controladora da American Airlines, e a US Airways, segue repercutindo em Wall Street. No pré-mercado, o papel da última empresa recuava 0,24%. A justificativa do governo dos EUA é que o acordo de US$ 11 bilhões, anunciado em fevereiro, reduziria a competição no mercado local e aumentaria os preços das passagens.

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