Novas regras para distratos beneficiam ações de construção

Projeto de lei que cria normas para os cancelamentos dos contratos de compra e venda de imóveis na planta foi aprovado nesta semana na Câmara dos Deputados e impulsionou ações das empresas de construção

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2018 | 04h00

Os preços das ações das empresas do setor imobiliário devem subir beneficiados pelas novas regras dos distratos. Ainda que os efeitos mais significativos da medida aconteçam no longo prazo, como preveem alguns analistas, o reaquecimento do mercado e o destravamento dos investimentos devem impulsionar os papéis. O projeto de lei que cria normas para os cancelamentos dos contratos de compra e venda de imóveis na planta foi aprovado nesta semana na Câmara dos Deputados.

“O impacto esperado é de valorização nas ações de empresas imobiliárias, com efeitos mais significativos no longo prazo. O projeto aprovado certamente beneficiará novos lançamentos e deve fornecer suporte para a desaceleração de entregas de empreendimentos, sobretudo em períodos de queda nos preços de imóveis. Vale notar também que a lei deve tornar o ambiente de negócios menos suscetível a especulações, reduzindo as incertezas”, diz Alexandre Faturi, da Nova Futura Investimentos.

Para o analista de investimentos da Mirae Asset Wealth Management, Pedro Galdi, com as regras definidas e a economia retomando (redução de desemprego, pessoas recuperando poder de crédito e confiança) a tendência é positiva para o setor e consequentemente para o desempenho das ações, principalmente de Eztec e MRV. Ele explica que já há sinalização de empresas de aumento de consultas, o que aponta para uma retomada da atividade. “Compartilhamos este sentimento, mas este virá com o início de decisões do novo governo no primeiro semestre do ano que vem”, afirma Galdi.

Ricardo Peretti, do Santander, afirma que a aprovação do projeto de lei e o seu posterior envio à sanção presidencial, é positiva para as construtoras de média e alta renda por trazer segurança jurídica às companhias e permitir que as mesmas retenham uma parcela maior do que já foi pago pelos compradores. O Santander acredita que o projeto beneficiará, principalmente, Cyrela, Eztec e Even. “Embora a medida não enderece todos os problemas envolvendo cancelamentos, ajudará as construtoras a reduzir o estresse financeiro durante eventuais aumentos nos cancelamentos daqui para frente”, afirma Peretti.

Para a próxima semana, o Santander retirou Bradesco da carteira e incluiu Banco do Brasil. 

A Guide acrescentou Lojas Renner e Banco do Brasil. Sobre a varejista a corretora destaca o poder de inovação da gestão e a eficiência operacional da companhia. “A Renner reportou um rígido controle de custos na operação de varejo e bem sucedido gerenciamento de estoques”. Sobre o BB, a Guide diz que segue confiante no desempenho dos papéis neste final de semestre, já que os últimos resultados operacionais têm superado a expectativa do mercado.

Na carteira do BB Investimentos entraram Equatorial, Natura e Bradesco.

A partir desta semana a Mirae passou a fazer parte das corretoras que participam da coluna, sendo BRF, Pão de Açúcar, Petrobras, Usiminas e Ultrapar os papéis recomendados. Sobre a petroleira, Galdi diz que o desinvestimento da companhia é bem significativo e ele não descarta que seja ainda maior, já que o futuro presidente, Roberto Castello Branco, “não vai querer dentro da empresa nada que não seja vital para a sua sobrevivência”. 

 

 

 

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