Brendan McDermid/ Reuters
Brendan McDermid/ Reuters

Nubank sobe 10% em Nova York após resultado do primeiro trimestre

Números do balanço vieram 'muito fortes' e mostraram crescimento acelerado em todas as áreas de negócios, ainda que o banco pontue o cenário desafiador para o mercado de empréstimo, afirmaram analistas

Luísa Laval e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2022 | 11h41

As ações do Nubank subiam 10,80% na manhã desta terça-feira, 17, pré-mercado em Nova York, negociadas a US$ 4,82, depois que a empresa divulgou seus resultados do primeiro trimestre. Na visão do BTG Pactual, os números vieram "muito fortes" e mostraram crescimento acelerado em todas as áreas de negócios, ainda que o banco pontue o cenário desafiador para o mercado de empréstimo. 

A dúvida é se o "copo está meio cheio ou meio vazio", comentam os analistas, na medida em que a carteira de crédito da fintech está crescendo muito em um ambiente mais desafiador para o mercado de empréstimo, sobretudo nos segmentos em que o neobanco está mais exposto, que são o cartão de crédito e o crédito pessoal, linhas sem garantias, ou seja, de maior risco. Por isso, o BTG mantém a recomendação de venda do papel.

Com o mercado mais avesso ao risco e a potencial deterioração do ciclo de crédito pela frente, sobretudo para as faixas de menor renda da população e em linhas sem garantia, como cartões, os analistas do BTG Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel Thiago Paúra afirmam que não seria surpresa se o mercado enxergar o "copo meio vazio". Já em um ambiente mais positivo de mercado, as ações poderiam reagir positivamente com os resultados.

"Em um ambiente de inflação e taxas de juros muito mais altas, e com uma eleições presidenciais à frente, esta parece ser uma estratégia muito "ousada" para dizer o mínimo", escrevem os analistas.

Os analistas do BTG afirmam ser fãs da história do Nubank e que em 10 anos cobrindo bancos, nunca viram nada parecido, sobretudo em termos de crescimento do crédito. E é essa velocidade que pode preocupar os investidores. Em 12 meses, a carteira de empréstimo pessoal aumentou 165%, enquanto a de cartões avançou 71%. Já a carteira total de crédito chegou a US$ 8,8 bilhões ao final de março, aumento de 126% na mesma base de comparação.

Mesmo a alta da taxa de inadimplência do Nubank no período, indo de 3,5% para 4,2%, parece estar sob controle, destacam os analistas do BTG. Contudo, olhando para a frente, a rapidez do crescimento da carteira de crédito levanta preocupações.

O BTG destaca ainda que o Nubank chegou a 60 milhões de clientes, com uma taxa de ativação muito alta de 78%. A base já representa 33% da população adulta brasileira, comentam os analistas. Desse total, 1,6 milhões são pequenas e médias empresas, número que mostra o potencial de crescimento do segmento.

Ao mesmo tempo, a receita média por cliente ativo (ARPAC, na sigla em inglês) chegou a US$ 6,7 por mês no primeiro trimestre, e surpreendeu. Com isso, a receita total do banco digital foi recorde no período, em US$ 877,2 milhões.

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