NY deve abrir ainda sob efeito de crise nos EUA

As bolsas norte-americanas devem iniciar esta terça-feira, 15, sem direção clara, sinalizam os índices futuros. Em meio a resultados corporativos mistos divulgados nesta manhã, incluindo os ganhos abaixo do esperado do Citigroup, Wall Street espera que um acordo seja alcançado hoje no Senado para resolver o impasse fiscal do país. Após iniciarem o dia em alta, os futuros apagaram os ganhos e passaram a cair. Por volta das 10h15 (pelo horário de Brasília), o Dow Jones futuro perdia 0,15%, o Nasdaq recuava 0,09% e o S&P 500 tinha baixa de 0,28%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

15 de outubro de 2013 | 10h36

O Senado deve se reunir às 12h (horário de Brasília) para discutir um acordo que elevaria o teto da dívida e acabaria com a paralisação do governo, que já dura 15 dias. O tempo é curto e o Congresso tem apenas dois dias para resolver o problema, já que o teto da dívida deve ser alcançado na quinta-feira (17). O plano que pode ser aprovado pelos senadores é uma solução de curto prazo, com elevação do teto até o dia 7 de fevereiro e um orçamento provisório até 15 de janeiro. Se aprovado, o acordo será encaminhado para votação na Câmara dos Representantes.

Na segunda-feira, 14, as bolsas subiram após senadores declararem que um consenso entre democratas e republicanos é possível. O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid disse estar "muito otimista" sobre a conclusão de um acordo nesta semana. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, disse que compartilhava do sentimento de Reid e que se caminhava para um resultado aceitável para os dois lados.

O economista da gestora AllianceBernstein, Joseph Carson, avalia que as chances de o Congresso encontrar uma solução são altas. Mas novamente a história se repete e os deputados e senadores precisam estar no limite de um prazo ou de uma crise para passar alguma legislação, avalia. "Há uma paralisia política no país", afirma em um relatório a investidores analisando o impasse fiscal. "As negociações atuais parecem uma reprise do passado recente."

Carson avalia que a proposta que deve ser aprovada é apenas um "band-aid", uma solução temporária que não resolve a questão e apenas adia o problema por mais algum tempo. "O Congresso deve deixar questões muito maiores não resolvidas", avalia o economista. Para ele, enquanto se chega a uma solução de curtíssimo prazo, os problemas fiscais e econômicos de longo prazo do país seguem pendentes. Na reunião no fim de semana do Fundo Monetário Internacional (FMI), a instituição pediu que os EUA tenham um plano sustentável de ajuste fiscal de médio prazo.

Com a paralisação do governo entrando na terceira semana, o dia tem previsto um único indicador econômico, divulgado nesta manhã. O índice Empire State de Atividade em Nova York ficou em 1,52 em outubro, bem abaixo dos 6,3 de setembro e também menor do que o esperado pelos economistas, que previam recuo para 5,5.

Além da política fiscal, os investidores também estão com os olhos voltados para a política monetária dos EUA e como o impasse na primeira pode afetar os rumos da segunda. Três dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), um deles com poder de voto nas reuniões de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), fazem apresentações nesta terça-feira.

O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, que discursa nesta manhã, é defensor da política monetária atual, vota nas reuniões do Fomc e tem apresentação na Cidade do México, em um evento que comemora os 20 anos de independência do BC mexicano.

Outro que falará é o responsável pelo Fed de São Francisco, John Williams, com apresentação prevista às 12h10 (também pelo horário de Brasília). Na semana passada, o dirigente alertou para os riscos de um fracasso em elevar o teto da dívida e disse que a política monetária acomodatícia é necessária por algum tempo. Por fim, o dirigente de Dallas, Richard Fisher, faz apresentação na noite de hoje, às 20h15 (de Brasília).

No noticiário corporativo, várias grandes empresas anunciam resultados, algumas nesta manhã e outras depois do fechamento do mercado, entre elas, o Citigroup, a fabricante de microprocessadores Intel, a Johnson & Johnson e a Coca Cola. Esta última divulgou alta no lucro, que ficou em US$ 2,45 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 2,3 bilhões há um ano, superando as previsões dos analistas. As receitas caíram 3%, para US$ 12 bilhões. No pré-mercado, a ação subia 1,26%.

Já o papel do Citigroup recuava 0,46% no pré-mercado. O banco teve aumento de lucro, mas o ganho ficou aquém do esperado por analistas do setor financeiro. O resultado no terceiro trimestre foi de US$ 3,2 bilhões, bem acima dos US$ 468 milhões do mesmo período de 2012. Mas o lucro ajustado por ação foi de US$ 1,02, enquanto a previsão de Wall Street era de que ficasse em US$ 1,05. As receitas do banco também vieram menores que o esperado. Alguns segmentos de negócios tiveram desempenho fraco, como a área de banco de investimento, com receitas 10% menores.

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