NY deve abrir em baixa após piora no auxílio-desemprego

As bolsas norte-americanas devem abrir o pregão desta quinta-feira, 11, em queda, sinalizam os índices futuros. A alta inesperada dos pedidos de auxílio-desemprego e a autorização do presidente Barack Obama para ampliar a ofensiva militar no Oriente Médio contribuem para o clima de maior cautela na manhã desta quinta-feira, 11, em Wall Street. Às 10h19 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones perdia 0,43%, o S&P 500 cedia 0,40% e o Nasdaq recuava 0,37%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

11 de setembro de 2014 | 10h33

Às vésperas do aniversário de 13 anos do 11 de setembro de 2001, Obama declarou na quarta-feira, 10, à noite em um discurso de 14 minutos na televisão uma nova "guerra ao terror" com o objetivo de "erradicar o câncer" dos terroristas do Estado Islâmico. Para isso, a Casa Branca autorizou ataques aéreos na Síria e o reforço das operações militares no Iraque, além de enviar 475 mais consultores militares para a região. Em resposta, a Rússia alertou os EUA contra ataques a grupos islâmicos na Síria e afirmou que tais ataques violariam a lei internacional, o que gerou sinais de aversão ao risco nos mercados.

Fora da esfera geopolítica, o único indicador do dia nos EUA foi divulgado nesta manhã e mostrou que os pedidos de auxílio-desemprego subiram para 315 mil na semana encerrada no último dia 6. A previsão dos economistas era de que as solicitações ficassem em 300 mil. Foi o nível mais alto desde junho.

Depois dos números mais fracos que o esperado de criação de vagas pelo mercado de trabalho dos EUA em agosto, a expectativa pelos dados de hoje era grande, pois é o primeiro indicador com números de setembro, mês marcado pela reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O encontro começa na próxima terça-feira, 16, e termina no dia seguinte. Como será seguida de entrevista à imprensa da presidente Janet Yellen, o interesse é alto por indícios de quando os juros serão elevados pelo BC. Por conta do encontro, os dirigentes do Fed estão em um período de silêncio e só devem se manifestar publicamente após o término da reunião.

O volume de negócios ontem, em um pregão marcado por volatilidade dos preços e agenda esvaziada, foi baixo e a expectativa para hoje é de um ritmo não muito diferente. Pelo menos até a próxima quarta-feira, 17, quando acaba a reunião do Fed, operadores dizem que os investidores vão procurar evitar fazer apostas maiores.

Além da reunião do Fed, os mercados podem ficar um pouco mais agitados amanhã, quando saem os números das vendas do varejo de agosto. O interesse é ver como o comércio se comportou no mês passado, marcado pela volta às aulas nos EUA. Os economistas do RBC Capital Markets projetam alta de 0,4% nas vendas.

Para o estrategista de renda variável da gestora Nuveen Asset Management, Robert Doll, se o mercado de trabalho decepcionou em agosto, outros indicadores, como os dados da indústria, vieram fortes, mostrando que a economia norte-americana segue em recuperação e o Fed caminha para elevar os juros. A dúvida é quando e em que ritmo este processo se dará, por isso a expectativa pela reunião, escreve em um relatório a investidores.

No noticiário corporativo, a Apple continua nos holofotes. Amanhã começa a pré-venda do novo modelo do iPhone e o Walmart, maior rede de varejo dos EUA, anunciou que vai vender o celular a US$ 179 em um contrato de dois anos com operadoras, abaixo do preço oficial de US$ 199 anunciado pela Apple. No pré-mercado, a ação da gigante de tecnologia perdia 0,60%.

O papel do microblog Twitter recuava 0,85% no pré-mercado. A empresa anunciou ontem após o fechamento da bolsa a emissão de US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida conversíveis em ações e/ou dinheiro.

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