NY deve abrir em baixa com dados de emprego em outubro

A surpresa com a melhora do mercado de trabalho dos Estados Unidos em outubro deve fazer com que as bolsas norte-americanas iniciem a sexta-feira em baixa, sinalizam os índices futuros. O relatório de emprego de outubro mostrou criação de vagas bem acima do esperado e a avaliação inicial de Wall Street é que mudanças na política monetária pelo Federal Reserve podem estar próximas. Às 12h23 (de Brasília), o Dow Jones futuro perdia 0,19% e o S&P 500 tinha baixa de 0,09%. Já o Nasdaq tinha leve ganho de 0,32%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

08 de novembro de 2013 | 12h32

Os dados do mercado de trabalho (também chamados de payroll) mostraram a criação de 204 mil vagas em outubro, ante expectativa dos economistas de 120 mil. A taxa de desemprego subiu menos que o esperado, para 7,3%. A aposta era de que ficasse em 7,4%. Os números foram divulgados nesta manhã pelo Departamento de Trabalho.

Além da inesperada melhora da criação de empregos em outubro, o número de setembro, que havia decepcionado, foi revisado para cima. Com isso, o mês teve criação de 163 mil postos, ante 148 mil divulgados inicialmente pelo Departamento de Trabalho. O dado é mais um sinalizador de que o mercado de emprego nos EUA pode estar mais robusto do que se pensava. Após a divulgação do relatório, os índices futuros, que operavam em direções divergentes, passaram a cair acentuadamente, mas perto da abertura do pregão, o índice futuro do Nasdaq passou a ter leve ganho.

"Os números de outubro pareceram surpreendentemente bons, apesar da crise fiscal. O impacto negativo do fechamento do governo parece não ter afetado o setor privado", avalia a diretora de Análise Macroeconômica do instituto The Conference Board, Kathy Bostjanci, em um e-mail comentando os números.

Após o anúncio do relatório de emprego, a expectativa do dia é para a apresentações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). A expectativa é que eles repercutam os recentes indicadores, que incluem o payroll hoje e o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, divulgado ontem e ambos com dados acima do esperado. O presidente do Fed, Ben Bernanke, fará uma apresentação em uma conferência promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele falará às 18h30 (de Brasília) em uma palestra com o tema "Resposta de política econômica à crises".

Além de Bernanke, outros dois dirigentes, sem poder de voto nas reuniões de política monetária, também falam ao longo do dia. Um deles é o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, que se apresenta mais cedo, às 15h (também de Brasília). Em suas últimas declarações, no começo do mês passado, Lockhart afirmou ser contra a redução dos estímulos na reunião de setembro e esperava impactos "mensuráveis" da crise fiscal no PIB do quarto trimestre.

Além do payroll, outro indicador que é aguardado hoje é o índice de sentimento do consumidor calculado pela Universidade de Michigan. O número vai mostrar a primeira leitura de novembro e pode sinalizar se a crise fiscal continua afetando a confiança dos consumidores. O economista do RBC Capital Markets, Jacob Oubina, espera alguma recuperação do indicador e projeta que fique em 75, acima dos 73,2 da leitura final de outubro.

No noticiário corporativo, as atenções do dia devem seguir com as ações do Twitter, em seu segundo dia de negociações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Depois de liderem as negociações no pregão de ontem e dispararem 73%, a expectativa de Wall Street é para como o papel vai se comportar hoje, passada a euforia do primeiro dia. No pré-mercado, a ação começou o dia em queda, mas reverteu a perda e subia 1,58%.

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