NY deve abrir em baixa com queda de gastos da população

As bolsas norte-americanas devem iniciar o pregão desta sexta-feira em baixa, de acordo com os índices futuros. Os gastos com consumo nos Estados Unidos foram mais fracos que o previsto em abril e a renda das famílias ficou estável, ante expectativa de Wall Street de um aumento. Às 10h15 (de Brasília), o Dow Jones futuro perdia 0,52%, o Nasdaq recuava 0,39% e o S&P 500 tinha baixa de 0,44%.

Agencia Estado

31 de maio de 2013 | 10h30

O Departamento de Comércio dos EUA informou que a renda pessoal dos norte-americanos ficou estável em abril, na comparação com março, ante a expectativa dos economistas de que subisse 0,1%. Já os gastos com consumo caíram 0,2%, a primeira queda em um ano. A projeção era de que recuassem 0,1%.

Os dados sobre renda e gasto pessoal são usados pelos economistas para fazerem projeções mais amplas sobre o consumo privado, componente que vem puxando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. No primeiro trimestre, números revisados divulgados ontem mostram um consumo ainda mais alto que o inicialmente divulgado, com expansão de 3,4%, ante 3,2% na estatística preliminar.

Mas, com os aumentos dos impostos e a pressão sobre os salários, a expectativa é de que o consumo cresça menos no segundo trimestre, avalia o economista-chefe do RBC Capital Markets, Tom Porcelli. Os próprios números de hoje já são um indício dessa tendência. Ele projeta aumento de 1,0% no consumo privado entre abril e junho, bem abaixo do avanço de 3,4% dos primeiros três meses do ano, que foi puxado, entre outros fatores, pelo pagamento de dividendos das empresas.

Outro dado que pode dar pistas de como está o consumo no segundo trimestre será divulgado logo após a abertura do mercado. O índice de sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan será anunciado às 10h55 (de Brasília). A expectativa dos economistas do banco BMO Capital Markets é de que o indicador fique em 83,8 em maio, acima dos 76,4 de abril e também ligeiramente acima do número preliminar divulgado para este mês, que ficou em 83,7. Um dos indícios de que o indicador vai continuar elevado foi o aumento anunciado esta semana do índice de confiança do consumidor medido pelo Conference Board, que chegou a 76,2 em maio, o nível mais alto em cinco anos.

O governo dos EUA também divulgou nesta manhã o índice de preços do PCE, que caiu 0,3% em abril ante março. O número é o preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para medir a inflação. A meta oficial de inflação anual do Fed é de 2,0%.

Enquanto isso, as notícias vindas da Europa também não ajudaram a animar os investidores. A taxa de desemprego na zona do euro cresceu para o recorde de 12,2% em abril e a inflação se acelerou para 1,4%, enquanto a economia segue em recessão.

No mundo corporativo, as ações do setor de petróleo e gás podem ser destaque ao longo do dia. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reuniu hoje em Viena, na Áustria, e decidiu manter o atual limite de produção de 30 milhões de barris por dia.

Os analistas de petróleo do Morgan Stanley mostraram preocupação com o setor em um relatório comentando a reunião da Opep. Com a economia mundial crescendo pouco e os preços do combustível em queda, o banco fala que os investimentos em expansão da capacidade do setor petrolífero também podem cair. (Altamiro Silva Júnior, correspondente - altamiro.junior@estadao.com)

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