NY tendem a abrir em queda pós fala de presidente do Fed

As bolsas norte-americanas devem abrir o pregão desta quinta-feira, 20, em baixa, sinalizam os índices futuros. Os investidores continuam repercutindo a declaração de quarta-feira, 19, da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, de que os juros devem subir seis meses depois do fim das compras mensais de ativos. Às 10h15 (de Brasília), o Dow Jones futuro perdia 0,30%, o S&P 500 recuava 0,28% e o Nasdaq cedia 0,33%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, Agencia Estado

20 de março de 2014 | 10h44

Após as declarações de Yellen, os economistas fizeram as contas e viram que, mantido o ritmo atual de cortes de US$ 10 bilhões nas compras mensais por reunião, as aquisições estariam em apenas US$ 5 bilhões em outubro próximo. Ou seja, se em algum dos próximos encontros de política monetária o Fed resolver cortar as compras em US$ 15 bilhões, elas se encerrariam em outubro e os juros voltariam a subir já em abril ou maio de 2015, destaca o economista-chefe do RBC Capital Management, Tom Porcelli. "É antes do que o mercado vinha precificando", afirmou em e-mail comentando a reunião, destacando que algumas casas previam alta apenas no começo de 2016.

O comunicado da reunião do Fed também mostrou que seus dirigentes preveem juros maiores no final do ano que vem, de 1% ou mais. Na reunião anterior, a média das previsões era de 0,75%. Porcelli, assim como outros economistas, viu um tom mais "hawkish" - tendendo ao aperto monetário - no comunicado. Esse fato surpreende, diz ele, porque se esperava um tom mais "dovish" - favorável ao relaxamento monetário - de Yellen.

A agenda de hoje tem vários indicadores. Nesta manhã, já foram divulgados os pedidos de auxílio-desemprego da semana encerrada no dia 15, que subiram para 320 mil, dentro do esperado pelos economistas.

Logo após a abertura do mercado, às 11h (de Brasília), saem as vendas de moradias usadas, com dados de fevereiro. A expectativa do TD Bank é que elas caiam 1,5% ante janeiro. Segundo Michael Dolega, economista do banco, a alta do custo das hipotecas aliada ao inverno rigoroso têm enfraquecido as vendas. Um dos fatores que mostra essa tendência são as vendas pendentes de imóveis usados (quando o comprador assina o contrato, mas a venda não foi concluída), que vêm caindo para níveis muito baixos nos últimos meses.

Também será divulgado o índice de atividade regional do Fed da Filadélfia. Porcelli, o economista do RBC, espera que o indicador saia do terreno negativo, de -6,3 em fevereiro, e suba para 8 em março. No mês passado, a região da cidade de Filadélfia foi atingida por uma forte nevasca bem na época em que a pesquisa é feita, o que afetou os resultados, destaca ele.

No noticiário de empresas, o setor bancário deve ficar no centro das atenções nesta quinta-feira. O Fed divulga às 17h (de Brasília) os resultados dos testes de estresse feitos com os grandes bancos para avaliar se possuem capital suficiente para absorver perdas e operar em situações adversas, como em períodos de crises financeiras. No pré-mercado, o papel do Citigroup recuava 0,29% e o do Bank of America perdia 0,17%.

Na agenda de balanços, um dos mais aguardados hoje é o da fabricante de tênis e materiais esportivos Nike, que revela seus números após o fechamento do mercado. Os analistas de varejo esperam lucro de US$ 0,72 por ação no terceiro trimestre fiscal da empresa, pouco abaixo dos US$ 0,73 do mesmo período do ano passado. No pré-mercado, o papel recuava 0,32%.

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