O Brasil não está barato, diz estrategista do J.P Morgan

"Os ativos brasileiros e o real valorizaram muito; o Brasil não está barato", afirma o estrategista de Mercados Globais do Private Bank (gestão de fortunas) do Banco JP Morgan em Nova York, Stuart Schweitzer, que administra US$ 300 bilhões de clientes de alta renda em todo o mundo. Schweitzer diz que há excesso de entusiasmo com ativos de países emergentes. "Há muita gente achando que o céu é o limite", diz. "Eu estou um pouco cuidadoso." Ele diz que está muito otimista com o Brasil no médio prazo porque o País tem uma disciplina fiscal "admirável". Para Schweitzer, o Brasil deve ser promovido a "grau de investimento" (considerado seguro pelas agências de classificação de risco) em dois a três anos. Mas, no curto prazo, ele se mostra menos entusiasmado. "Há um ano, o Brasil era o meu país favorito para investimentos e estava barato; agora, continuo otimista com o Brasil no médio prazo, mas não está barato." Schweitzer diz que há um limite para valorizações. "O Brasil está chegando perto de um teto - que talvez não seja permanente, mas é um teto." Para ele, há boas oportunidades de investimentos em outros países, que estão baratos e passaram despercebidos, como Coréia e Taiwan. Mas ele não acredita em "correção severa" no Brasil, ou seja, numa debandada de investimentos. "A menos que haja alguma crise séria na economia mundial, como um descontrole na inflação global, queda acentuada nos lucros das empresas ou forte aumento no protecionismo", diz. "O mundo só está crescendo desse jeito porque houve grande abertura comercial; se houver um retrocesso, com fronteiras sendo fechadas e tarifas elevadas, isso pode comprometer o crescimento mundial." Para Schweitzer, outro risco para o Brasil está no comportamento da demanda da China. A China é o maior consumidor de minério de ferro do Brasil, mas está com um excesso de capacidade na fabricação de aço. "O preço do aço está caindo e vai cair mais", diz. "Isso deve dificultar negociações de preços. Precisamos ajustar as expectativas em relação a minério de ferro." O executivo não demonstrou preocupação com as eleições no Brasil, pois acha que a disciplina fiscal será mantida.

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