O que muda com a abertura de capital da Bovespa?

A Bolsa de Valores de São Paulo e a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) formaram um grupo de trabalho para estudar a possibilidade de abertura de capital. O objetivo do estudo é responder aos novos desafios do mercado de capitais brasileiro e ao aumento da competição internacional. "Isso irá baratear e facilitar o acesso de corretores ao mercado. Queremos aumentar nossa abrangência, credenciar pessoas que negociem ações para investidores no Amazonas ou no Nordeste, fugindo do eixo Rio-São Paulo, onde está hoje a maioria das corretoras que atuam na Bolsa", justifica o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho. Conforme Magliano, uma corretora gasta hoje, no mínimo, R$ 6 milhões para se credenciar na Bovespa. "Só o título patrimonial custa R$ 1 milhão". "Queremos dar continuidade ao processo de democratização do mercado de capitais." "Faremos uma mudança estrutural, de uma instituição sem fins lucrativos para uma empresa com acionistas e visando o lucro." O presidente da entidade não quis fazer qualquer previsão sobre a tendência dos custos das operações. O presidente da Bovespa comentou que o processo de abertura de capital das bolsas é uma tendência mundial. Atualmente a Bovespa é mutualizada (é uma sociedade civil onde os participantes - as corretoras de valores - possuem títulos patrimoniais que dão o direito de negociar na Bolsa. "Hoje, cerca de 70% das bolsas no mundo são desmutualizadas. Não podemos estar longe dos mercado globais. Daqui a alguns anos teremos bolsas integradas, funcionando 24 horas", diz Magliano. Diante deste cenário, Magliano explicou que a estrutura aberta facilitará a entrada de corretoras de outros países no mercado brasileiro, além da integração com outros mercados. "Teremos que reforçar nossa governança, seguir padrões contábeis internacionais. Mas não há como ignorar a integração dos mercados." O executivo disse que o processo de abertura de capital ainda é preliminar e está sendo avaliado apenas internamente. "Ainda não contratamos um coordenador para emissão de ações. Apenas tomamos a atitude de informar ao mercado nossa atitude, reforçando nosso compromisso de transparência. Ao longo dos próximos 18 meses avaliaremos as medidas a serem tomadas." (Resumo de reportagem divulgada pelo AE Empresas e Setores, serviço da Agência Estado de informação e análise do mercado de capitais, de setores da economia, de empresas de capital aberto e de fundos de investimento)

Agencia Estado,

30 de maio de 2006 | 07h00

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