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O 'rali Bolsonaro'

Investidores consideram que uma eventual vitória do candidato do PSL geraria apenas um rali de alívio, mais associado à derrota da esquerda, do que pela empolgação com um governo Bolsonaro

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 04h00

A reação do mercado financeiro a cada pesquisa que aponta para uma maior possibilidade de vitória do candidato Jair Bolsonaro, do PSL, nas eleições presidenciais é um sinal claro da aposta em um candidato de direita. É o “rali Bolsonaro”.

E até onde chegariam a Bolsa brasileira e a cotação do dólar ante o real em caso de vitória de Bolsonaro?

Os investidores consideram, neste momento, que o “rali Bolsonaro” num cenário de eventual vitória dele na eleição presidencial seria apenas um “relief rally”, ou seja, um rali de alívio e, por tabela, temporário.

O sentimento de alívio seria mais pela derrota da esquerda, personificada na candidatura de Fernando Haddad (PT), do que propriamente pela empolgação com um eventual governo Jair Bolsonaro.

Tanto que chamou atenção na pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, divulgada na terça-feira, a disparada de 11 pontos porcentuais de Haddad, que se consolidou em segundo lugar com 19%. É verdade que o mercado já esperava Haddad subir mais nas pesquisas de intenção de voto e ficar em segundo lugar, mas um crescimento de 11 pontos em apenas uma semana não pode ser minimizado.

Para os investidores, mais importante do que Bolsonaro passar de 26% para 28% no primeiro turno foi a melhora do seu desempenho nas simulações de segundo turno na pesquisa Ibope.

Mas o cenário do “rali Bolsonaro” não será apenas de céu de brigadeiro até o final das eleições.

Isso porque muitos investidores não descartam a probabilidade de que Haddad consiga mesmo até ultrapassar Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto na virada do primeiro para o segundo turno, o que vai injetar uma grande dose de nervosismo.

Mais ainda: nessa trajetória de crescimento de Haddad nas pesquisas de intenção de voto, se o candidato petista ficar, pelo menos, 5 pontos porcentuais à frente de Bolsonaro nas simulações de segundo turno, não se descarta o Ibovespa recuando fortemente, caindo do patamar atual ao redor de 78 mil pontos para até 70 mil pontos, e o dólar subindo até R$ 4,50.

Mas, afinal, como seria o “rali Bolsonaro” caso o candidato do PSL venha a ser eleito presidente?

Investidores acreditam que o dólar possa recuar até R$ 3,80 e o Ibovespa volte para um patamar de 85 mil pontos.

E por que esse rali pode ser temporário?

Porque, na fotografia de hoje, muitos investidores ainda se mostram céticos em relação à capacidade de Bolsonaro implementar as reformas estruturais necessárias, em especial a da Previdência.

Sobre essa reforma, inclusive, há dúvidas por parte dos investidores sobre a qualidade do projeto de reforma elaborado por Paulo Guedes, o coordenador do programa econômico de Bolsonaro e tido como futuro ministro da Fazenda num eventual governo do candidato do PSL.

Além disso, o “rali Bolsonaro” dependerá de notícias sobre a formação de um eventual governo dele. Como seria a composição ministerial? Esse ministério abrangeria uma coligação de partidos que pudesse garantir os 308 votos necessários para aprovar uma reforma da Previdência?

Também será atentamente monitorado pelo mercado – com impacto nos preços dos ativos – quem seria o coordenador político num eventual governo Bolsonaro.

Teria esse coordenador a habilidade para costurar uma aliança para garantir uma base fiel e sólida no Congresso?

Dependerá da resposta a essas perguntas o quanto o “rali Bolsonaro” conseguirá durar e levar os preços dos ativos brasileiros a outro patamar.

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