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Obama demonstrou habilidade em formar equipe, diz professor

Para Gunther Rudzit, do Ibmec-SP, problema para novo presidente dos EUA será negociar com congressistas

Patricia Lara e Gabriel Bueno, da Agência Estado,

08 de janeiro de 2009 | 14h59

O professor de política internacional do Ibmec São Paulo, Gunther Rudzit, afirmou que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pode não ser tão conhecedor de economia para enfrentar os desafios que pairam sobre o país neste momento, mas já demonstrou bastante habilidade para conseguir reunir uma equipe que supera obstáculos. "Primeiro, vimos isso na equipe de campanha, que conseguiu fazer com que um negro fosse eleito presidente, o que é muito difícil e é uma mudança gigantesca", disse ele em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. "Tendo em vista que ele já demonstrou sua habilidade em formar uma equipe, possivelmente, ele vai saber trabalhar esse assunto (econômico). O problema será saber negociar isso com os congressistas."  Ouça a entrevista   Segundo o professor do Ibmec, um potencial atraso na aprovação do pacote de estímulo econômico alinhavado pelo governo Obama, como sinalizaram líderes congressistas no início desta semana, pode estancar o clima favorável que, aparentemente, predomina nos mercados financeiros neste início do ano. "O mercado está em busca de boas notícias." O pacote poderá alcançar até US$ 775 bilhões e inclui quase US$ 300 bilhões em cortes de impostos. "Obama já chamou para negociação o líder da agora minoria republicana para tentar acelerar esse processo. E ele não seguiu o padrão democrata em relação aos gastos do governo", afirmou. "Normalmente, os democratas sempre buscaram aumentar gastos governamentais. Ele já propôs corte de impostos para a classe média, justamente, para buscar o apoio da ala republicana minoritária no Senado, mas sem esse apoio, não vai conseguir passar nenhum projeto." Para Rudzit, esse é um bom indicador de como ele deve conduzir a negociação no Congresso e se adiantar a esse processo de aprovação do plano de estímulo. Etanol A atual crise financeira e a composição majoritária democrata do Congresso norte-americano, principalmente, na Câmara dos Representantes (Deputados), devem limitar a aprovação de uma reforma que acabe com o fim da barreira tarifária para o etanol de cana brasileiro, como sinalizou o futuro secretário americano da Agricultura, Tom Wilsack. Essa é a percepção do professor Rudzit. "A questão das barreiras tarifárias não é uma atribuição do Executivo, mas sim do Legislativo norte-americano", ressaltou Rudzit. "Por isso, não acredito em uma mudança no curto prazo", ponderou Rudzit, lembrando que o governo de Barack Obama tem de alinhavar a aprovação do pacote de estímulo econômico, o que dificultaria a proposta de mudanças na política comercial norte-americana no curto prazo. "Por isso, é bastante complicado passar tão rapidamente (o projeto para liberar a barreira ao etanol). Não vejo isso ocorrer pelo menos no primeiro ano deste governo. Política externa Rudzit, afirmou que a América Latina não é uma prioridade para o governo Barack Obama, principalmente, quando em relação a outros países. Mas deve ocorrer uma mudança de postura em relação a Cuba e também quanto ao relacionamento com a Colômbia. "O apoio irrestrito do governo Bush ao combate às Farc pode mudar um pouco, principalmente, no que refere aos direitos humanos, um tema muito caro aos democratas", disse Rudzit. Em relação ao Brasil, a política norte-americana não deve sofrer alterações. "A percepção de que o Brasil é um parceiro importante para o governo norte-americano deve continuar." Para o professor do Ibmec SP, Obama não deve mudar muito em relação à linha da atual administração George W. Bush para Israel. Para o professor, o presidente eleito agiu corretamente ao não comentar muito os ataques israelenses Faixa de Gaza. "Ele ainda não está no comando da máquina. O comando da política externa é assunto presidencial e ainda há um presidente e uma secretária de Estado. Se ele divergir desta postura como um governo norte-americano pode ser levado a sério em qualquer negociação?" "Mas seus comentários de que sente muito a morte de civis, indica que apoio a Israel continuará. Se alguém espera retirada do apoio a Israel, isso não deve acontecer." Um outro ponto que não deve ter mudanças é em relação à política para imigração. "Obama já se comprometeu em manter fronteiras seguras". Rudzit lembra que o muro que está sendo construído na fronteira com o México não é um projeto do Executivo, mas sim do Congresso, que incluiu os custos no orçamento", destacou. Déficit O governo federal dos EUA não terá dificuldades para conseguir sustentar seu déficit orçamentário, que deve chegar a US$ 1,186 trilhão no ano fiscal de 2009, de acordo com fonte do Congresso, que teria antecipado projeções que serão divulgadas em breve pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês). "Querendo ou não, o mercado americano ainda é o mais atrativo do mundo e há a segurança que o governo dos EUA dá a todos os investidores de que vai honrar suas obrigações. Ter essa segurança nesse tempo de crise faz com que se busque o porto seguro (papéis da dívida norte-americana)", disse o professor de política internacional do Ibmec São Paulo. Sobre sinais de que as famílias mais afetadas pela crise econômica nos EUA estão freando seus gastos com consumo e ampliando a poupança, há um impacto negativo para a economia no curto prazo, já que pode aprofundar ainda mais a crise financeira. "Essa mudança não é pouca coisa. Isso mostra uma mudança de mentalidade muito grande. A quantidade de cartões de crédito e dívida de cada pessoa sempre me espantou muito", observou. "Isso mostra que está em curso uma mudança que pode diminuir o consumo, grande motor da economia. Mas, no longo prazo, será positivo", disse Rudzit. O consumo já representou mais de 80% do Produto Interno Bruto norte-americano. Mas com o aumento das demissões, os consumidores estão freando suas despesas e ampliando a poupança pessoal. Segundo analistas, a taxa de poupança norte-americana, que caiu para um nível abaixo de zero, deve ser recuperar para uma faixa de 3% a 5%, ou acima disso, em 2009. Na semana passada, o Goldman Sachs projetou que a taxa de poupança deve chegar a um nível entre 6% a 10% neste ano.

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