OCDE: Taxa de expansão do PIB brasileiro deve ser de 4,5% em 2008 e 2009

País deve estabilizar gasto para estabilizar receita, diz Luiz de Mello, responsável pelo Brasil na OCDE

Patricia Lara, Cynthia Decloedt, com colaboração de João Caminoto,

10 de dezembro de 2007 | 14h13

O responsável para a área do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Luiz de Mello, afirmou que as previsões do organismo de crescimento de 4,7% do PIB brasileiro neste ano, com desaceleração para 4,5% em 2008 e 2009, refletem a expectativa de que a economia deve voltar para uma taxa de expansão mais compatível com o potencial de longo prazo. "As projeções de 2007 refletem os desenvolvimentos de curto prazo e uma atividade econômica bastante forte. São, basicamente, desenvolvimentos cíclicos", disse Mello, em entrevista, concedida na semana passada, ao Broadcast Ao Vivo.  Ouça entrevista com Luiz de Mello "Mas, dentro do nosso período de previsões de dois anos, a economia voltaria para uma taxa de crescimento que seria mais compatível com o potencial de longo prazo da economia brasileira. Por isso, essa desaceleração cíclica". Mello destacou que o aumento dos gastos públicos tem despertado atenção contínua da OCDE em seus relatórios. Ele ponderou que, desde o ano 2000, tem havido uma tendência de crescimento contínuo do gasto público em relação ao PIB no Brasil. "E nós gostaríamos de ver uma pausa nesse crescimento, principalmente, em relação aos gastos correntes do governo consolidado", comentou. "Para que isso permita não só um aumento do gasto público em investimento e não só em despesa corrente e, eventualmente, uma estabilidade da taxa de receitas públicas em relação ao PIB."  "O governo tem alcançado as metas de superávit primário ao longo dos anos, o que é bastante louvável. Mas esse equilíbrio tem ocorrido, principalmente, pelo lado da receita e não pelo lado do gosto", observou Mello. "O que gostaríamos é que o governo estabilizasse o gasto para estabilizar a receita". De acordo com Mello, o País tem uma relação de receita pública em relação ao PIB que é bastante alta para um país com o nível de renda do Brasil bastante alta em relação a outros países de America Latina.  Segundo Melo, a previsão da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico de meta de inflação para o Brasil de 4% para os dois próximos anos, conforme exposta em seu relatório "Perspectiva Econômica", pode ser mantida, a despeito dos sinais mais recentes de aceleração da inflação, como o IPCA. Mas há sempre um risco de que a inflação seja um pouco maior do que isso por desenvolvimentos cíclicos. "Tem havido uma tendência global, não só no caso do Brasil, de aumento de preços ligados a commodities agrícolas, que se refletem nos preços dos alimentos, e dos preços de energia". "Isso é um fenômeno global, que afeta a inflação cheia, como é o caso do IPCA no Brasil", avaliou Mello. "Essa é uma das razões pelas quais nós acreditamos que a postura do BC no Brasil de ter criado uma pausa no processo de redução da taxa de juros é bastante acertada, porque reflete o comportamento da inflação e as expectativas para os meses futuros", destacou Mello. "O que é importante para a política monetária é se manter vigilante. Deve reagir a qualquer evidência de contaminação dos preços base - core - e dos preços de varejo no futuro, em relação ao comportamento dos alimentos." Segundo Mello, no caso do Brasil, a inflação - no conceito core - tem se mantido relativamente estável e ainda há espaço para se avaliar esse risco (de contaminação) no futuro. "Claro que não é um risco que nós subestimamos, mas também não há motivo para alarde", ressaltou.  A OCDE avalia que as economias dos EUA, Europa e Japão não precisam de estímulos econômicos vindos de corte de juro. "A nossa recomendação para o comportamento da taxa de juros nessas regiões tem a ver muito com o fato de que a nossa previsão para o desempenho dessas economias no futuro tem sido bastante positiva, a despeito dos percalços dos últimos meses, como a crise imobiliária nos EUA, as incertezas financeiras e os choques agrícolas e de energia", disse Mello. "No nosso ver, ainda não há evidência sólida e inequívoca de que esses desenvolvimentos se traduzam em uma queda muito mais acelerada do que a que nós prevemos em nosso relatório", afirmou. "Nós já incluímos nas nossas previsões para essas regiões, uma desaceleração da taxa de atividade dos EUA e em menor escalada na Europa", ponderou. "A nossa visão é que não há necessidade de um estímulo monetário nessas regiões nos próximos meses. É muito importante que os BCS dessas grandes regiões se mantenham atentos à atividade econômica e inflação".

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