Odebrecht cria empresa de investimentos de US$ 10 bi

O Grupo Odebrecht está criando uma nova empresa, com planos muito ambiciosos. Hoje, os negócios do grupo estão concentrados em duas atividades principais. A construtora Odebrecht, que fatura cerca de US$ 3 bilhões por ano, e a empresa petroquímica Braskem, com US$ 6,5 bilhões anuais. "A nova empresa pode ser maior que as outras duas", disse Marcelo Odebrecht, de 37 anos, presidente da Construtora Odebrecht e que também preside a nova companhia.A nova empresa se chama Odebrecht Investimentos e Infra-estrutura (OII) e é dedicada a concessões públicas e PPPs (parcerias público privadas). Na prática, trata-se de investimentos feitos por empresas privadas para tocar grandes obras públicas, como hidrelétricas e estradas. As empresas privadas são remuneradas pelos usuários ou clientes dos serviços, seja por meio do pedágio de uma rodovia ou da conta de energia elétrica.A Odebrecht planeja investir US$ 1 bilhão por ano, ao longo de uma década, em grandes obras no Brasil e no exterior. O investimento será feito com recursos próprios e parcerias. "A concessão de obras e serviços públicos para a iniciativa privada é uma tendência internacional. Já é forte na Europa, está crescendo nos Estados Unidos e está começando no Brasil", disse Odebrecht. "A diferença é que outros países estão andando mais rápido que nós. No Peru, existem concessões de US$ 1,2 bilhão. O Brasil é que está meio travado."Hoje, a Odebrecht já atua em concessões públicas, no Brasil, em Portugal e no Peru. Em Portugal, investiu ? 500 milhões ao longo de quatro anos, em rodovias. No Peru, participa da construção de duas estradas que vão ligar o Brasil ao Oceano Pacífico. A Odebrecht já foi sócia da CCR, a maior concessionária de rodoviárias do Brasil, mas vendeu sua participação em 2002, para enfrentar a crise de endividamento com a criação da Braskem e a desvalorização do real.Agora, o grupo investe cerca de R$ 200 milhões na construção de um emissário submarino em Salvador, na Bahia. Seu principal projeto em vista são as hidrelétricas do rio Madeira, no Norte do País. Ali, deverão ser construídas duas usinas, no valor de US$ 5 bilhões cada uma. A Odebrecht quer participar do consórcio para executar as obras e ficar com 30% do projeto. Marcelo Odebrecht não tem dúvida que projetos como esse vão sair do papel. "Nos últimos anos, o Brasil derrotou o dragão da inflação e da estabilização da moeda. A questão nacional agora é o crescimento. O Brasil não tem opção: ou investe ou investe."Embora esteja confiante no avanço das obras no Brasil, a Odebrecht quer apostar em concessões e PPPs em outras países onde já atua. Uma de suas principais bases no exterior é o Estado da Flórida, nos EUA. Ali, a Odebrecht faz parte de um dos três consórcios que disputam a construção de um túnel em Miami, no valor de US$ 1,5 bilhão. "Quarenta Estados americanos estão fazendo projetos de PPPs. Temos uma experiência em Portugal que pode ser um diferencial nos EUA", diz Gilberto Neves, presidente da Odebrecht nos EUA.A empresa também tem planos ambiciosos para tocar obras da maneira tradicional, por encomenda dos governos. A Odebrecht, que comemora 15 anos desde o início de suas operações nos EUA, reconstruiu um dique em Nova Orleans, no valor de US$ 12 milhões. Foi apenas uma amostra. "As obras nos diques devem chegar a US$ 1,5 bilhão", diz Neves. Sem contar outros serviços: nos próximos anos, deverão ser gastos entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões na reconstrução de Nova Orleans.Nos Emirados Árabes Unidos, a Odebrecht participa da construção da segunda pista do aeroporto de Abu Dabi, no valor de US$ 300 milhões. A reforma do aeroporto deverá movimentar, ao final, US$ 4 bilhões. A empresa está tocando grandes obras em Angola e é a maior construtora em países como Equador, Peru e Panamá. Seu problema hoje não são as encomendas. Pelo contrário, a Odebrecht está se dando ao luxo de escolher o que faz. "Há uma onda internacional de investimentos em infra-estrutura. Mas vamos limitar nosso crescimento a 20% ou 30% ao ano porque não temos gente suficiente para tantas obras", diz Odebrecht.

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