Odebrecht nega envolvimento em suborno na Argentina

A construtora brasileira Norberto Odebrecht informou hoje que não tem vinculação com o escândalo de suborno em torno da sueca Skanska na Argentina. Executivos da Skanska admitiram que a companhia pagou 13,4 milhões de pesos (algo em torno de US$ 4,33 milhões) em suborno para ganhar a licitação da ampliação dos gasodutos argentinos. O caso foi denunciado pela imprensa local em novembro do ano passado e desde então a sueca está sendo investigada. Segundo informação do jornal La Nación, a Justiça também vai investigar a Odebrecht."A obra realizada pela Odebrecht de ampliação do gasoduto da TGS (Transportadora de Gas del Sur) não tem nada a ver com TGN (Transportadora de Gas del Norte), objeto das acusações de pagamento de propinas", disse à Agência Estad o porta-voz da companhia em Buenos Aires, Daniel Felici.Atribuindo a informação a uma fonte, o jornal disse que "a Odebrecht informou à TGS que se lhe fosse adjudicada a obra, assumiria o compromisso de contratar a Skanska, a Techint e a empresa cordobesa Contreras Hermanos S.A, para realizar os trabalhos". A Odebrecht venceu a licitação e realizou a obra que, segundo Daniel Felici, foi em tempo recorde: 480 quilômetros em sete meses.A Odebrecht contratou as três empresas, as quais também realizaram a oba de ampliação da TGN, e a Confab - uma empresa brasileira do Grupo Techint - para a provisão dos tubos sem costura instalados no gasoduto. Indagado se foi mera coincidência, o porta-voz da Odebrecht argumentou que "para uma obra dessa envergadura é preciso contratar os melhores e os melhores do setor eram estas três empresas".Além disso, continuou, "como o financiamento da obra era do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as empresas tinham que ter domicílio no Brasil, conforme exige o estatuto da instituição". Além do BNDES, o projeto contou com financiamento também das companhias Total, Pan American Energy, Wintershall e BNA.Em nota distribuída à imprensa na Argentina, a Odebrecht esclarece que a obra foi realizada pela Transportadora de Gas del Sur (TGS) - concessionária dos mencionados gasodutos e propriedade da Companhia de Investimentos de Energia (Ciesa), da qual 50% das ações pertencem à Petrobras Energia, a subsidiária da Petrobras na Argentina.Ciesa realizou uma licitação internacional concluída em novembro de 2004, da qual Odebrecht foi a vencedora. Segundo a nota da Odebrecht, a companhia venceu a licitação porque possui "os melhores antecedentes na região neste tipo de projetos - com mais de 10 polidutos construídos na última década - e sua oferta foi a mais competitiva em termos de custos e prazos"."É importante esclarecer que o projeto aludido não guarda nenhuma relação contratual, de serviços ou fornecimentos, com a realizada pela empresa Skanska no mesmo período para a ampliação dos Gasodutos do Norte sob a gestão da Transportadora de Gas de Norte, companhia controlada pelo Grupo Techint" afirma o comunicado.A Odebrecht destaca ainda que não participou do projeto denunciado de envolvimento com propinas, nem se apresentou à licitação para o mesmo ou "qualquer tipo de serviços relacionados". Para concluir, ressalta que "a ampliação em 2005 dos Gasodutos del Sur é uma importante obra de infra-estrutura realizada em forma exemplar no país, a fim de evitar o desabastecimento em um momento crítico e garantir preços razoáveis para a indústria e os usuários".A ampliação evitou um colapso da matriz energética e de gás da Argentina em 2005, segundo a nota, e contribuiu com um incremento de 5% da capacidade de transporte no país.

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